“Não há lugar no mundo melhor que o nosso lar”

Só vim postar esse texto que escrevi no domingo, porque maridão fez cirurgia no quadril hoje e eu preciso voltar para o Hospital.

Já faz um tempo em que eu passei a acreditar que nada, nada mesmo, nessa vida acontece por acaso. Não é por acaso que conhecemos determinadas pessoas, não é por acaso que perdemos nossos empregos, não é por acaso que ficamos doentes. Tudo no fundo tem uma lógica, uma razão de ser. Mesmo que naquele momento não percebamos isso.

Dia desses, durante uma sessão de terapia, por exemplo, entendi o porquê de “O Mágico de Oz” ser um dos meus filmes favoritos desde sempre. Descobri porque a música “Somewhere Over the Rainbow” me é tão sonora e porque quando eu a escuto é como se eu fosse levada pra um lugar distante, mas de conotação familiar (foi com ela inclusive que o João entrou na Igreja com as nossas alianças).

Eu e minha psicóloga estávamos falando sobre um dos contos do livro “Mulheres que correm com os lobos”, em que a protagonista da história tem uma relação quase que de afeto com os seus sapatos vermelhos. Então na hora, eu fiz uma relação com um outro conto, em que estamos trabalhando em grupo, aonde a protagonista esquece de voltar ao seu lar e por isso se vê fraca, vazia.

Vocês lembram qual é a história de Dorothy no filme? Lembram de Judy Garland, ainda bem novinha, vestida naquelas roupas típicas da época, às voltas com o fato de terem levado o seu cachorro e de como ela odiava viver naquele lugar?

Aqui só um parêntese. Voltando da nossa lua de mel, não conseguia pregar o olho de jeito nenhum. Depois de ter assistido a todos os filmes novos disponíveis pela TAM, decidi fuçar na parte dos filmes mais antigos. E que felicidade senti quando encontrei esse meu filme favorito. Enquanto o Marco dormia o sono dos juntos, eu sorria de boba assistindo ao começo do filme. Nunca tinha associado que a mesma Judy Garland, de quem eu comprei um CD numa birosca em Londres porque tinha na capa o nome de uma das minhas músicas preferidas, era aquela mesma menina protagonista do filme. Que falha a minha.

E vejo que já naquele momento entendi um pouco da minha ligação estreita com o filme. Mas a relação tomou proporções maiores mesmo na semana passada, como falei ali em cima.

É Dorothy, realmente não existe lugar melhor no mundo do que o nosso lar.  E às vezes precisamos mesmo percorrer um longo trajeto, trilhar estradas de tijolos amarelos, enfrentar perigos, lidar com bruxas más, conhecer novos ares, fazer novos amigos pra descobrirmos essa verdade. Não existe Mágico de Oz no mundo, bola de cristal, livros de auto ajuda ou fórmula mágica que possam dar respostas às nossas perguntas, já que elas estão dentro de nós mesmos.

Mas o que é esse retorno ao lar? O que pode ser esse lar? A nossa casa? Segundo Clarissa Pinkola Estés, nesse conto em que falei sobre a mulher que se esquece de retornar periodicamente ao seu, o lar pode ser muitas coisas diferentes para mulheres diferentes. E que há muitas formas de retornar ao lar. Muitas são rotineiras; algumas são sublimes.

Em resumo, o lar é aquele local, aquela sensação de bem estar que toma conta de você, que te deixa extasiada, que te faz sentir renovada, preenchida. O lar é uma espécie combustível, que recarrega nossas energias, que reacende o nosso fogo de sentir paixão pelas pessoas, por aquilo que fazemos e por viver em si.

Mas o que acontece e o que aconteceu com essa mulher do conto, é que às vezes nos vemos submersas nesse mundo exigente, na correria do dia a dia e acabamos por esquecer de vez por outra, mas sempre periodicamente, retornar ao nosso lar. Esquecemos de nos reabastecer para voltarmos inteira. A nossa psicóloga do grupo dá uma exemplo bem simples e ilustrativo. Quando esta acabando o combustível do nosso carro, vamos lá e o abastecemos. Se por acaso, esquecermo-nos de abastecer, o que acontece? Quem nunca viu alguém se matando pra empurrar um carro? E então, é muito mais fácil termos o cuidado de nos reabastecermos quando o nosso ponteiro apitar ou depois nos matarmos e usarmos de força pra fazer com que a nossa vida volte a funcionar?

O que te faz feliz, já dizia a propaganda da rede Pão de Açúcar. O que te move? Coloca a cabeça aí pra pensar e puxa da memória a lembrança de algum momento em que nada e nem ninguém poderiam te atrapalhar? Aqueles momentos que não tem dinheiro no mundo que pague e que são inegociáveis para você.

Clarissa ainda lembra que a volta ao lar não implica necessariamente em grandes gastos financeiros. Voltar ao lar pode ser cuidar do jardim, escutar uma música, contemplar o mar, voltar à casa em que você viveu na infância, fazer uma viagem de carro, sair com amigos ou não fazer nada no sofá da sua casa.

O importante é termos a consciência de que essa volta é extremamente necessária, quase que vital. Porque quando esquecemos de nos permitir esses retornos, enfraquecemos, perdemos o brilho, morremos por dentro. Sabem aquelas pessoas que já acordam cansadas, que estão sempre com uma cara fechada e um olhar distante?

Bole ajudas estratégicas, nem que seja uma cólica, um filho doente ou uma terrível enxaqueca, caso seja inevitável e vá viver esse seu momento. Aprenda a treinar o seu cérebro de que se permitir voltar ao lar é uma necessidade quase que fisiológica. E selecione as pessoas que convivem com você. Não dê ouvidos para os que não respeitam esse seu desejo, para aqueles que não te apoiam nesse retorno. Porque você vai, mas você volta. Ir não significa fugir. Significa que você vai, mas vai retornar uma pessoa muito melhor, mais cheia de vida.

Agora, batam os seus calcanhares três vezes e repitam comigo: “Não há lugar melhor no mundo que o nosso lar”.

Logo eu volto.

Beijo beijo

Anúncios

4 respostas em ““Não há lugar no mundo melhor que o nosso lar”

  1. Pingback: Cuidado onde você deixa sua alma. | Blog "Psicologando"

  2. Pingback: Afinal, o que é “Cochilo Psíquico”? | Sobre a Vida

  3. Pingback: Para as mulheres cansadas: é hora de voltar pra casa! | Blog "Psicologando"

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s