E com a palavra: Ana Jácomo!

Primeiro, vim compartilhar os textos que escrevi para outros blogs essa semana. Ontem teve meu relato sobre o desfralde do João no blog “As Crianças” e hoje teve minha segunda participação no blog “Sobre a Vida”, com um texto sobre relacionamentos chamado “Era uma vez e não era uma vez”. Ambos, valem a leitura, modéstia parte!

Bem, como vocês sabem, estou praticamente com dois bebês em casa, já que o Marco operou o quadril e esta de repouso. Então, quase não tenho tempo para escrever. Mas como eu costumo dizer, juro que logo eu volto. Acreditem em mim.

Mas pra não deixá-los sem nada para ler, copiei um texto muito bom da Ana Jácomo, de quem já falei algumas vezes (no blog Delicinhas de Pera), que eu li no Blog da Gabriela Faraco.

Você merece ser feliz: amar

É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.

Ana Jácomo

Gostaram?

Bom final de semana.

beijo beijo

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“Não há lugar no mundo melhor que o nosso lar”

Só vim postar esse texto que escrevi no domingo, porque maridão fez cirurgia no quadril hoje e eu preciso voltar para o Hospital.

Já faz um tempo em que eu passei a acreditar que nada, nada mesmo, nessa vida acontece por acaso. Não é por acaso que conhecemos determinadas pessoas, não é por acaso que perdemos nossos empregos, não é por acaso que ficamos doentes. Tudo no fundo tem uma lógica, uma razão de ser. Mesmo que naquele momento não percebamos isso.

Dia desses, durante uma sessão de terapia, por exemplo, entendi o porquê de “O Mágico de Oz” ser um dos meus filmes favoritos desde sempre. Descobri porque a música “Somewhere Over the Rainbow” me é tão sonora e porque quando eu a escuto é como se eu fosse levada pra um lugar distante, mas de conotação familiar (foi com ela inclusive que o João entrou na Igreja com as nossas alianças).

Eu e minha psicóloga estávamos falando sobre um dos contos do livro “Mulheres que correm com os lobos”, em que a protagonista da história tem uma relação quase que de afeto com os seus sapatos vermelhos. Então na hora, eu fiz uma relação com um outro conto, em que estamos trabalhando em grupo, aonde a protagonista esquece de voltar ao seu lar e por isso se vê fraca, vazia.

Vocês lembram qual é a história de Dorothy no filme? Lembram de Judy Garland, ainda bem novinha, vestida naquelas roupas típicas da época, às voltas com o fato de terem levado o seu cachorro e de como ela odiava viver naquele lugar?

Aqui só um parêntese. Voltando da nossa lua de mel, não conseguia pregar o olho de jeito nenhum. Depois de ter assistido a todos os filmes novos disponíveis pela TAM, decidi fuçar na parte dos filmes mais antigos. E que felicidade senti quando encontrei esse meu filme favorito. Enquanto o Marco dormia o sono dos juntos, eu sorria de boba assistindo ao começo do filme. Nunca tinha associado que a mesma Judy Garland, de quem eu comprei um CD numa birosca em Londres porque tinha na capa o nome de uma das minhas músicas preferidas, era aquela mesma menina protagonista do filme. Que falha a minha.

E vejo que já naquele momento entendi um pouco da minha ligação estreita com o filme. Mas a relação tomou proporções maiores mesmo na semana passada, como falei ali em cima.

É Dorothy, realmente não existe lugar melhor no mundo do que o nosso lar.  E às vezes precisamos mesmo percorrer um longo trajeto, trilhar estradas de tijolos amarelos, enfrentar perigos, lidar com bruxas más, conhecer novos ares, fazer novos amigos pra descobrirmos essa verdade. Não existe Mágico de Oz no mundo, bola de cristal, livros de auto ajuda ou fórmula mágica que possam dar respostas às nossas perguntas, já que elas estão dentro de nós mesmos.

Mas o que é esse retorno ao lar? O que pode ser esse lar? A nossa casa? Segundo Clarissa Pinkola Estés, nesse conto em que falei sobre a mulher que se esquece de retornar periodicamente ao seu, o lar pode ser muitas coisas diferentes para mulheres diferentes. E que há muitas formas de retornar ao lar. Muitas são rotineiras; algumas são sublimes.

Em resumo, o lar é aquele local, aquela sensação de bem estar que toma conta de você, que te deixa extasiada, que te faz sentir renovada, preenchida. O lar é uma espécie combustível, que recarrega nossas energias, que reacende o nosso fogo de sentir paixão pelas pessoas, por aquilo que fazemos e por viver em si.

Mas o que acontece e o que aconteceu com essa mulher do conto, é que às vezes nos vemos submersas nesse mundo exigente, na correria do dia a dia e acabamos por esquecer de vez por outra, mas sempre periodicamente, retornar ao nosso lar. Esquecemos de nos reabastecer para voltarmos inteira. A nossa psicóloga do grupo dá uma exemplo bem simples e ilustrativo. Quando esta acabando o combustível do nosso carro, vamos lá e o abastecemos. Se por acaso, esquecermo-nos de abastecer, o que acontece? Quem nunca viu alguém se matando pra empurrar um carro? E então, é muito mais fácil termos o cuidado de nos reabastecermos quando o nosso ponteiro apitar ou depois nos matarmos e usarmos de força pra fazer com que a nossa vida volte a funcionar?

O que te faz feliz, já dizia a propaganda da rede Pão de Açúcar. O que te move? Coloca a cabeça aí pra pensar e puxa da memória a lembrança de algum momento em que nada e nem ninguém poderiam te atrapalhar? Aqueles momentos que não tem dinheiro no mundo que pague e que são inegociáveis para você.

Clarissa ainda lembra que a volta ao lar não implica necessariamente em grandes gastos financeiros. Voltar ao lar pode ser cuidar do jardim, escutar uma música, contemplar o mar, voltar à casa em que você viveu na infância, fazer uma viagem de carro, sair com amigos ou não fazer nada no sofá da sua casa.

O importante é termos a consciência de que essa volta é extremamente necessária, quase que vital. Porque quando esquecemos de nos permitir esses retornos, enfraquecemos, perdemos o brilho, morremos por dentro. Sabem aquelas pessoas que já acordam cansadas, que estão sempre com uma cara fechada e um olhar distante?

Bole ajudas estratégicas, nem que seja uma cólica, um filho doente ou uma terrível enxaqueca, caso seja inevitável e vá viver esse seu momento. Aprenda a treinar o seu cérebro de que se permitir voltar ao lar é uma necessidade quase que fisiológica. E selecione as pessoas que convivem com você. Não dê ouvidos para os que não respeitam esse seu desejo, para aqueles que não te apoiam nesse retorno. Porque você vai, mas você volta. Ir não significa fugir. Significa que você vai, mas vai retornar uma pessoa muito melhor, mais cheia de vida.

Agora, batam os seus calcanhares três vezes e repitam comigo: “Não há lugar melhor no mundo que o nosso lar”.

Logo eu volto.

Beijo beijo

Recetinha!

Hoje teve post meu no blog “Delicinhas de Pera”. Para os apaixonados de plantão vale a leitura e a reflexão!

Como postei extraordinariamente no sábado para me redimir da minha ausência durante a semana, hoje só vim mesmo compartilhar uma receita que eu fiz semana passada e que de tão prática, torna-se ainda mais saborosa.

Apesar de eu não ser muito fã de nozes, a minha paixão pelo doce de leite é tão grande, que eu até consigo comê-las misturadas com ele. E nozes também tem tudo a ver com festas de final de ano.

Estrogonofe de nozes, já comeram??

Então, eu vinha querendo testar aquela forma de fazer doce de leite colocando uma lata de leite condensado na panela de pressão. Mas assim como acontece com muita gente, essas panelas sempre me deixam tensa. Aí ontem aproveitei que a Bia estava em casa à tarde e como eu vi no Cozinha Prática do GNT que parecia mesmo muito fácil fazer, resolvi arriscar.

Nesse vídeo do programa, em que a Rita Lobo explica como se faz um rocambole de vó, você encontra o passo a passo de como fazer doce de leite com leite condensado.

Mas basicamente, você coloca a lata de leite condensado na panela de pressão e enche de água até passar dois dedos acima da lata. Lembrando que é preciso tirar o rótulo mas como eu usei o Leite Moça, não tinha rótulo para retirar.

Então você fecha a panela, liga o fogão e assim que a panela começar a apitar, conta vinte minutos e apaga o fogo. Daí é só esperar sair a pressão, retirar a lata e depois de umas duas horas, quando ela já estiver totalmente fria, abrir.

Confesso que a cor que fica o leite condensado te convida a dar umas colheradas antes de prosseguir com a receita.

Agora vem a facilidade do negócio. Eu criei a minha receita, baseada nas que eu vi na internet e ficou uma delícia. Misturei o conteúdo da lata, com uma caixinha de creme de leite e 100g de nozes picadas com as mãos.

Essa quantidade, rendeu dois copos de 250 ml cheios. Então eu decorei com uma noz inteira em cima do copo e coloquei no freezer por umas duas horas.

Não preciso nem dizer que ficou gostoso de comer rezando.

Achei uma receita facílima de fazer e ótima pra essas épocas de final de ano, em que tudo é muito corrido.

E vocês, o que acharam??

beijo beijo

 

Yes, we can!

Eu juro que não quero parecer chata ou insistente falando sempre sobre a mesma coisa. Mas aqui pensando com as minhas caraminholas sobre essa coisa de que precisamos treinar o nosso cérebro a nos reconhecer como pessoas individuais e capazes de vivermos das nossas próprias expectativas e não somente da dos outros, cheguei nos seguintes parágrafos:

“Nós nascemos, crescemos e precisamos amadurecer. Mas amadurecer não implica em somente pagarmos as nossas próprias contas. Amadurecer significa percebermos que somos pessoas únicas no mundo, capazes de vivermos das nossas próprias expectativas. Significa reconhecermos que não devemos carregar aquilo que não é nosso, aceitarmos o fato de que somos responsáveis pelas nossas escolhas e o que advém delas e nos descobrirmos como alguém que pode ter os seus próprios sonhos e as suas próprias metas. E que esses podem ser divergentes dos que um dia esperaram de nós. Mas que nem por isso são menores, menos importantes ou impossíveis de acontecer. E muito menos devem ser vistos como uma forma de culpa a se carregar. Mas sim de respeito. Já que vivermos as nossas próprias vidas, faz com que os outros que por vezes usam do seu tempo para sonhar por nós, também passem a viver as suas”. 

“Quando um sonho, antes algo meramente abstrato, que soava até como uma forma de loucura, vai para o papel e se torna uma meta, nada pode nos impedir de colocá-lo em prática. A não ser nós mesmos e a nossa insistente mania de vivermos para suprir as expectativas dos outros”. 

Captaram a mensagem queridos leitores?

E já que mudanças vem acontecendo por dentro, resolvi mudar o “por fora”. Tosei minhas longas madeixas.

Quem gostou faz barulho!!

Depois dessa foto ainda repiquei mais as pontas. Estou amando o resultado! E meus cabelos agradecem!

Bom final de semana!

beijo beijo

Ah se todo mundo quisesse ou pudesse fazer uma Terapia!

E eu ando super sumida, eu sei. Mas o feriado, as férias da Bia (que é quem cuida da nossa casa e do João Pedro), o retorno da viagem, a organização de alguns armários aqui em casa, o desfralde do João e os textos que preciso escrever para os outros blogs (e um para um revista que logo eu compartilho com vocês), andaram ocupando todo o meu tempo livre e eu não tinha muito ânimo para escrever. Mas juro que logo eu volto. Ainda não consegui sentar e escrever como eu quero, mas aos poucos as coisas vão voltando ao normal na minha vida e alguns novos temas vão ocupando a minha cabeça para que eu consiga voltar a escrever aqui.

Ontem teve post meu no blog “Delicinhas de Pera” e no “As Crianças”, pra quem quiser matar saudades dos meus textos.

Semana passada voltei ao meu processo de Coaching e ontem tive novamente um encontro com a minha querida Ana Garlet. Agora estou cheias de “deveres de casa” e novos questionamentos para refletir. Principalmente sobre como será a minha rotina no ano que vem, quando alguns projetos finalmente tomarão forma e sairão do papel. Mas isso é um assunto para um post posterior. Só queria dividir a minha perplexidade sobre como esta ajuda aos meus questionamentos funciona de forma positiva quando se esta disposto a mudar antigos conceitos que nos acompanham desde sempre.

É impressionante como crescemos agarrados em crenças e valores que na verdade nem nos cabem ou nem nos pertencem verdadeiramente.

Isso me faz lembrar a tristeza que senti ontem quando soube que o personagem Breno, do seriado Sessão de Terapia do canal GNT, morreu. Ainda nesse sábado comentei com uma amiga num casamento que fui (beijo Silvinha, amiga e leitora querida), como muitas pessoas, especialmente os homens, que crescem sob o olhar de um pai severo, passam a vida agindo de uma maneira agressiva, por acreditarem que somente assim irão pertencer à sua família e irão suprir as expectativas dos seus pais. Como esse negócio de criação esta totalmente ligado com a forma como enxergamos o mundo. Não que os nossos pais sejam culpados de alguma coisa, coitados. Venho aprendendo que as pessoas agem de uma determinada maneira, porque aquilo é tudo o que elas tem pra oferecer, de acordo com a forma como também foram criados. Mas como essa questão do repasse de valores, crenças e ideais dos nossos pais, pode guiar a nossa vida até chegarmos ao ponto em que estamos.

Na Constelação Familiar, que é uma espécie de ramo da Psicologia (não sei ainda exatamente a definição desse modo de encarar a família), estuda-se muito essa questão das influências das ordens familiares. Acho que até já falei um pouco sobre isso aqui. De como nós filhos, podemos às vezes nos comportar de uma forma para nos sentirmos pertencentes à nossa família. Um exemplo bem simples e clássico, é o filho homem que cresce sem a figura do pai e ao longo da sua vida, inconscientemente, vai ocupando o papel de marido da sua mãe. E tem mais um bocado de outras situações típicas de lealdade dos filhos aos seus pais, que sem perceber, ocupam alguns lugares, aos quais não pertencem de verdade, para se sentirem necessários e inseridos no seu núcleo familiar. E esse parece ser bem o caso do Breno do seriado. Por ter sido criado por um pai que ele julgada ser perfeito, de “aço”, como ele mesmo o definiu, Breno cresceu achando que ser homem significava ser agressivo. Que se ele fraquejasse, ou demonstrasse qualquer forma de sentimento, seria considerado gay ou mulherzinha. E ele até questionou a sua sexualidade durante as terapias, quando na verdade, ele só era um cara que na sua essência não era durão, desses que não demonstram qualquer forma de sentimento, como julgava ser.

Acho muito louco como a Psicologia esta presente na vida de todo mundo. Sempre digo que o mundo seria um lugar muito melhor se todos tivessem a coragem e a oportunidade de fazer terapia…hahaha. Não que eu pense que devemos nos questionar o tempo todo. Mas se soubéssemos lidar com o nosso inconsciente, se soubéssemos separar aqueles problemas, objetivos ou fraquezas que realmente são nossos e não algo que carregamos de outras pessoas, ou que trouxemos da nossa criação, certamente seríamos todos pessoas mais felizes e realizadas.

Então felizes daqueles que percebem a delícia que é se conhecer por inteiro. Que encaram seus demônios, como dizia a capa da revista “Vida Simples” do mês passado, ao invés de varrer os seus receios para baixo do inconsciente e lá no final da vida, sofrer por questões que possam estar mal resolvidas.

Bóra então fazer uma terapia ou uma auto análise, através de todas as informações que estão disponíveis em revistas, blogs e livros?

Fica a reflexão.

beijo beijo

Lívia e a força de poder se reinventar, sempre.

Texto que escrevi um tempo atrás:

Imã de geladeira que minha mãe trouxe do Butão, o chamado, País da Felicidade. E realmente, tudo começo com um sorriso….

“E certo dia, assim, como num súbito, num suspiro barulhento, daqueles que parecem sair da boca de quem submergiu das águas e encontrou o ar, ela se deu conta do que estava acontecendo com ela.

                Eram três da tarde de uma quarta feira comum e Lívia se lembrou de um antigo livro que leu há alguns anos atrás, que dizia que as verdadeiras questões pendentes da nossa vida, surgem assim, no meio de um dia aparentemente normal, quando estamos andando distraídos por aí.

                Como alguém que não consegue movimentar as pernas, a moça de aparência saudável, terno preto e sapatos altos, precisou sentar. Avistou a sua frente um desses bancos de praça e meio que cambaleando, entregou-se a ele. Deve ter ficado ali, estática, olhando pro nada, durante uns quinze minutos. Mas ninguém percebeu, afinal, no centro de uma grande cidade, as pessoas andam pra lá e pra cá preocupadas apenas com as suas vidas e nada mais.

                Lívia deu mais um suspiro e saiu do seu transe. Observou as transeuntes passando sem nem dar importância para o que estava acontecendo com ela. Esticou o braço direito, deu uma olhada para o seu próprio corpo, depois o esquerdo e constatou que pra quem a olhasse de fora, realmente, estava tudo nos conformes. Mas se alguém tivesse o poder de enxergá-la por dentro, notaria que na verdade, nada ia bem.

                Depois de perder alguns minutos imaginando quantas vezes poderia ter cruzado com alguém que também estivesse num breu interno, apesar do sorriso no rosto, lembrou o porquê de ter quase se afogado, mesmo estando a quilômetros de uma piscina. E mais uma vez, aquela sensação de sufocamento e impotência, tomaram-na por inteiro. Como se mover?

                Seu celular começou a tocar dentro da bolsa e engatada no automático, Lívia fez menção de abri-la para atender. Mas tomando consciência do seu estado, pausou sua ação e fingiu que o telefone não era dela. Quem de importante poderia ser para interromper esse momento de reflexão? Momento de reflexão? Ela pousou suas duas mãos em cima dos joelhos e clamou por Deus para tentar entender o porquê de todos aqueles insights terem surgido durante o seu mísero horário de intervalo do trabalho. E mais uma vez, lembrou-se do livro que tinha lido. Não é que o sujeito estava certo. Depois de quase trinta anos “vivendo por viver”, o seu tanque de comodismo havia chegado ao limite e ela já não podia mais esconder de si mesma todas as questões que vinha varrendo para baixo do tapete. Sua mãe havia morrido, ela tinha trocado de emprego, não falava com o seu pai havia anos, estava fumando como nunca, gastando dinheiro como sempre e não conseguia terminar um relacionamento do qual já não fazia parte há muito tempo. Mas ela tinha saúde, era o que sempre pensava para se sentir feliz. Se bem que fumando desse jeito e vivendo de qualquer jeito, até a saúde poderia lhe deixar na mão. E sem ela, Lívia pensou, com que forças iria conseguir mudar sua vida?

                Aquele terno preto, elegante, alinhado e o sapato de saltos finos, que pagaria durante quase um ano inteiro, já não conseguiam mais esconder a tristeza que morava dentro daquela mulher. Só que desde as histórias infantis que escutamos quando criança, aprendemos que o importante é sempre sorrirmos, sermos gentis, culparmos os outros pelas nossas próprias fraquezas, que no final das contas, um príncipe encorpado, montado num lindo cavalo branco, aparece para nos salvar e nos levar para o seu castelo e então, vivermos felizes para sempre.

                Que merda, pensou ela. Que bosta de vida é essa que estou vivendo. Nego o fato de ter perdido a pessoa mais importante da minha vida, finjo que nem tenho pai, trabalho num local onde sou apenas mais um número, divido minha cama com um sujeito que não suporto e procuro acelerar a minha morte fumando um bando de drogas que se escondem atrás de um status inexistente e de um gosto de bala de menta. E o pior de tudo, é me dar conta de que somente eu e mais ninguém pode mudar tudo isso que só me faz uma pessoa infeliz.

                Lívia lembrou da noite passada, quando num jantar com os amigos, foi intitulada a pessoa mais alegre do grupo. Que farsa. Porque vivemos tanto tempo sendo quem não somos de verdade. Porque nos cobramos demonstrar uma coisa, quando na verdade deveríamos ceder aos nossos impulsos e sermos quem somos realmente. Não que Lívia precisasse cair em depressão pelos pontos negativos que possam existir na sua atual situação. Mas que ela os reconhecesse e aprendesse a lidar com eles, sem fingir que eles não existem.

                Então ela sorriu. Um sorriso de alívio, que nasceu lá de dentro dela ao constatar a chance que estava tendo de se reinventar. E lembrando que a sua vida estava uma merda, sorriu mais uma vez. E gargalhou. E gargalhou mais alto. Que se danem as pessoas que passavam e a olhavam sem entender nada. Feliz daquele que consegue rir de si mesmo, pensou ela. Mas um riso consciente, daqueles que descobrem o poder que tem sobre a sua própria pessoa. O poder de se auto dominar, se auto comandar.

                E aos poucos, Lívia foi elencando tudo que fazia com que ela perdesse o sono à noite, quando ninguém estava olhando e ela podia transparecer por fora, o que sentia por dentro. E quanto mais problemas iam aparecendo, mais Lívia sorria. Talvez fosse um riso nervoso, mas Lívia preferia atribuir a ele a condição de força. Uma força interna que surgia dentro dela, a cada coisa boa que ela ia enumerando ao lado das coisas ruins. E no fim das contas, no fim da equação, ela se deu conta de que na verdade, na vida, o que importa mesmo é a forma como escolhemos enxergar as coisas. Perceber que se escolhemos focar no lado ruim de tudo, o enredo final da nossa história vai parecer um filme daqueles melancólicos, tristes. Mas que se decidirmos fazer diferente, ser a mudança que queremos ver, pode até não ser que encontremos o nosso “final feliz para sempre”, mas certamente, teremos vivido verdadeiramente tudo que nos é proporcionado e que não caberão arrependimentos depois.

                Assim, aliviada e agarrada na ideia de que para o que não parece ter remédio, deve-se inventar um e não simplesmente deixar como esta, levantou-se. Ajeitou sua roupa, sorriu mais uma vez e seguiu para a vida. Porque como ela mesma sempre gosta de dizer, o mundo não para pra nos recompormos. Nós é que não devemos parar nunca de buscar aquilo que acreditamos ser o caminho para a nossa felicidade”.

Bom feriado.

beijo beijo

p.s. essa é uma crônica que escrevi aleatoriamente. Lívia é uma personagem de ficção, apesar de parecer com muita gente que conhecemos, quem sabe até, com nós mesmos.

Sonhos+metas+ações concretas = REALIZAÇÃO PESSOAL!

O assunto não tem nada a ver com os últimos acontecimentos da minha vida. Quer dizer, não diretamente. Mas eu venho pensando sobre ele há algum tempo e como hoje ele retornou aos meus pensamentos, decidi escrever. Pode ser que o texto pareça incoerente, mas como eu não ando sentindo muita inspiração pra escrever, decidi começar me permitindo tentar escrever algo assim, como se eu estivesse falando com alguém cara a cara. Desabafando. E como quando eu escrevo, é como se eu organizasse os meus pensamento, não existe texto melhor do que esse, escrito assim sem parar, sem pensar, sem mensurar, sem censurar. Palavra solta, advinda de um certo impulso. Impulso aquele como quando a gente bebe e se sente livre pra dizer o que pensa de verdade. Sabem? Que nem em sonho, quando nosso inconsciente se liberta do ego e superego e põe pra fora os sentimentos mais escondidos, porém, os mais verdadeiros.

Não é de hoje que eu gosto de escrever. Desde criança escrevo e nos últimos meses, venho me respeitando e dedicando um tempo maior para extravasar essa minha necessidade quase fisiológica. E também, desde sempre, escuto das pessoas que eu deveria escrever mais, quem sabe até escrever um livro. E eu não vou negar, dizendo que eu não acho que escrevo bem e tal. Mas ainda não me considero madura o suficiente pra produzir uma obra, um livro, que é algo quase sagrado pra mim. Então eu escrevo aqui, ali, amadureço minha forma de escrever, procuro focar em algum tipo de assunto, procuro encontrar uma maneira de conciliar o que descobri ser minha vocação com a busca de atingir uma meta profissional concreta, que possa pagar as minhas contas. Porque desejos e sonhos por si só, não enchem a barriga de ninguém e nem pagam o aluguel no final do mês.

Só que eu percebo, que muitas vezes, as mesmas pessoas que me elogiam, que me incentivam, são aquelas que me julgam, que me questionam sobre o que eu estou escolhendo fazer da minha vida. Sim, escrever ainda não me dá um retorno financeiro. Sim, eu ainda sou apenas uma blogueira que escreve textos coerentes, que procuram se alinhar às regras gramaticais. Só que viver de escrever não é algo que acontece assim da noite para o dia. Grandes escritores, precisaram e conseguiram escrever um best seller enquanto tocavam a sua vida real, aquela que não esta nas linhas dos seus livros. Mas ao mesmo tempo, grandes obras literárias, como “Cem Anos de Solidão”, por exemplo, dispenderam quatro longos anos de total reclusão de Gabriel Garcia Marquez, aonde ele chegou até a passar fome pra poder se dedicar exclusivamente à escrita do seu livro. Cada um funciona de uma forma e se vira da maneira que consegue, pra realizar algum desejo seu.

Não, não estou pedindo que alguém me banque, me compre uma casa de cinema na beira do mar, aonde eu possa mergulhar no meu mundo pra que dali saia um best seller. Eu não tenho essa pretensão. Quem sabe um dia, quando eu já tiver o meu próprio dinheiro, advindo do retorno de um dom que eu tenho, eu possa ter esse poder de escolha e me dar ao luxo de utilizar o meu tempo exclusivamente pra escrever de verdade, como única profissão. Mas eu só queria entender aonde esta a coerência das pessoas quando elas acham que escrever bem é algo que nasce conosco assim como um passe de mágica e que não demanda tempo, inspiração e um certo equilíbrio. Quero ver o gênio que trabalha oito horas por dia em algum departamento estritamente burocrático, que chega em casa e tem um filho pra dar atenção, um marido pra agradar, sentar à meio noite, depois de um dia exaustivo, na frente de um computador e parir um bom livro.

Mas essa falta de coerência das pessoas realmente é um problema delas. O fato esta no tanto que eu deixo isso me atingir. E eu juro que apesar de eu dizer que eu sei que eu tenho facilidade com a escrita, eu também sei que eu tenho MUITO a amadurecer e a melhorar, aprofundar a forma como eu escrevo. Mas como eu falei ali em cima, esse amadurecimento exige tempo. Só escreve quem lê, e ler leva tempo. Só escreve quem vive, quem consegue aquietar a mente e mergulhar num mundo paralelo, da onde nascem crônicas e livros. E isso é quase impossível pra quem se entrega a uma vida rotineira e exigente.

Só que quando descobrimos, quando fica claro, aquilo que pra você é indispensável, que não tem preço que pague, que não existe fortuna no mundo que substitua essa sua satisfação pessoal, nada pode nos impedir de levar um sonho adiante. Muito menos viver o sonho que é de outra pessoa.

Respeite o sonho de outra pessoa e tudo de bom que ele possa ter te proporcionado. Mas jamais deixe morrer em você aquele fogo, aquela paixão por algo, que é o que te movimenta, te conduz a sentir aquela plenitude inigualável de fazer o que se gosta e o que se sabe fazer.

Eu não almejo ficar milionária escrevendo. Já percebi que dinheiro não pode ser um valor fim na nossa vida. Juntar dinheiro, pode sim, ser um valor meio que te conduza a alcançar algum outro objetivo, principalmente os emocionais, como satisfação, segurança, felicidade. Mas ele JAMAIS vai fazer você se sentir verdadeiramente feliz, realizada. Hoje eu vejo o dinheiro como algo que nos proporciona conforto e meios mais fáceis de alcançar aquilo que podemos estipular como meta. Mas ele por si só, como protagonista da nossa vida, da nossa eterna busca, pode tornar a nossa vida um filme sem um fim. Pode nos fazer morrer em vida. E como já diz aquele velho clichê, a vida é uma só e eu descobri que da minha, eu quero fazer aquilo que eu escolhi fazer, mesmo que isso não seja condizente com as expectativas dos outros. Porque o que os outros esperam de mim, é um problema deles. Ninguém deve viver para suprir a expectativa de outrem. Respeita-se, compreende-se, mas saiba separar isso daquilo, sentimento de pensamento. Sabem o que significa amor incondicional? Amor que não impõe condições. O resto, não pode se considerar amor de verdade.

Desculpem o desabafo. Esta tudo bem comigo, esta tudo azul e eu estou no momento mais feliz da minha vida, apesar de pessoas de fora acharem o contrário. Mas como eu já disse uma vez, quando analisamos a vida do outro de fora e julgamos, dizemos o que pensamos dela, sob o nosso aspecto, a nossa chance de errar é de quase 100%. Mas como eu disse lá em cima. Respeite, compreenda que aquilo é tudo que a pessoa tem pra te oferecer. Mas jamais, jamais, agregue aos seus pensamentos, julgamentos dos outros. Olhe para dentro de si. Preste atenção naquele sinais, naqueles desejos que surgem na sua cabeça quando você esta na melhor companhia que você pode ter, a da sua própria consciência.

O resto é resto. O resto é problema do resto. Se a sua consciência esta tranquila e você acredita que esta no caminho certo, não recue. Porque se lá na frente você descobrir que errou, terá a consciência de que errou por uma escolha própria e não por ter seguido o conselho de alguém. Porque como diz mesmo aquele vídeo do filtro solar, os conselhos são como lixo. Você tira da sua lata interior, limpa, pinta e vende por um preço muito maior do que eles realmente valem.

Boa semana queridos.

Logo eu volto. Porque não existe condição no mundo que vá me impedir de viver o meu sonho. Abdico de qualquer luxo, de qualquer questão relativa a dinheiro e conforto pra continuar na busca dos meus objetivos. Respeitando, amando, mas jamais deixando de ser a Juliana que eu sou e que eu quero ser daqui pra frente.

beijo beijo