Carta ao meu “João Pedo”.

Hoje o meu “bebê” completa 2 anos e 6 meses. Apesar de todos aqueles momentos “chatinhos” que vem junto com o nascimento de uma criança, como cansaço e a falta de sono, e de alguns dias parecer que tudo isso não vai passar nunca, confesso que realmente o tempo passou muito rápido.

Parece que foi ontem que descobrimos que estávamos “grávidos”, que de repente fomos morar juntos e nos preparávamos para a chegada de um filho, que fomos a caminho da maternidade ao som de “Open your eyes” (do Snow Patrol) para nos tornarmos definitivamente pais, que tivemos que nos adaptar com todas as transformações que uma criança em casa exige, que amamentei durante 1 ano e 1 dia, que comemoramos o primeiro aniversário do João, que presenciamos seus primeiros passos, suas primeiras palavras e todas as suas descobertas, que comemoramos o seu segundo aniversário e que nos surpreendemos com a sua constante e deliciosa evolução.

E o dia de hoje aguçou a minha vontade de fazer uma nova carta ao meu filho, como aquela que fiz durante a gravidez e que fez parte de um Concurso que participei há uns meses.

Apesar de hoje ter um blog que não trata apenas sobre essa aventura que é ser mãe, obviamente ainda sinto necessidade e escrevo muito sobre o assunto. Porque as minhas questões psicológicas, a minha opinião sobre determinados assuntos, os meus textos que falam dos preparativos do meu casamento e as minhas dicas de livros ou filmes que gostei, são apenas alguns temas que permeiam a minha existência. Mas ser mãe, com certeza, é a melhor e a mais importante questão da minha vida. Eu não falar tanto sobre isso, não significa que eu não dê a importância merecida. Significa apenas que eu segui a minha vida, além da maternidade. Esta aí uma frase que vive surgindo na minha cabeça. Existe vida além da maternidade? Hahaha. Depende do significado que se dá à palavra vida nessa frase.

Então aí vai a nova carta….

“Oi João ´Pedo´ (como você mesmo se anuncia hoje)

Estava aqui pensando sobre as coisas que um dia vou ter que explicar pra você e cheguei a algumas conclusões. A mamãe jamais vai te esconder o fato de que a sua chegada não foi, bem dizer, planejada. Também nunca vou usar o termo “não desejada” porque como canceriana que sou, sempre quis ser mãe. Mas mesmo que não tivéssemos te planejado, vou sempre tentar te demonstrar como essa ausência de planos foi a melhor ausência de alguma coisa que já me aconteceu.

Desde o dia em que, sozinha em casa, através da tela de um avanço da tecnologia, eu descobri que estava vivendo a mais antiga das experiências, o meu mundo mudou para MUITO melhor. Todas as expectativas geradas junto com você, enquanto estavas logo ali, dentro de mim, foram muito mais do que supridas. Depois que você veio ao mundo realmente, todos os medos, as dúvidas e as angústias, desfizeram-se imediatamente, como num passe de mágica. Porque é magico mesmo o cessar do choro de um recém nascido quando ele é colocado junto à sua mãe já no primeiro contato e a ligação que ele tem com ela desde o seu primeiro segundo de vida.

Assim que a notícia da sua chegada foi se ajeitando e a nossa vida também foi se ajeitando à ela, passei a pesquisar mais sobre “o que se esperar quando se esta esperando”. Mas foi depois que você nasceu, que concluí que não existe manual nenhum no mundo, que consiga explicar como é ter a sorte de ser mãe. Sim, porque ser mãe é como um sorteio, aonde você aposta todas as suas fichas e fica na mão da vida, aguardando o que ela vai decidir. Descobri também que não existe livro que pudesse me preparar tão bem, quanto simplesmente dar a luz à você e baseada apenas no amor, seguir os meus instintos pra saber como me virar. Bendito seja quem conseguiu simplificar uma sensação tão complexa, dizendo apenas que junto com um filho, nasce uma mãe. Porque você pode até ter comprado todos os itens da lista do que levar pra maternidade, inclusive aqueles que você sequer usou, mas você não encontra aonde vende o modo como você vai se encontrar pra viver pra um filho. Sim, porque eu vivo pra você, meu João, sem querer parecer uma mom-a-holic. Mas hoje eu percebo como até as decisões mais pessoais e talvez até egoístas, como escolher começar um curso que durante um tempão vai me privar de ficar contigo todas as manhãs, são pra você. Pra você, um dia, ter orgulho de ter uma mãe que foi atrás de fazer o que ela queria, e não o que queriam pra ela. Pra você aprender que eu não vou estar aqui pra sempre, que eu te amo e que mesmo eu estando longe, estarei sempre perto, logo ali, dentro do seu coração.

Filho, quando por alguma circunstância eu preciso me definir, começo logo pelo “sou mãe”, porque ser mãe, ser sua mãe, pra mim, é a definição mais importante quando se referem à minha pessoa. Se sou casada, bacharel em Direito, escrevo bem, tenho um blog, no fundo, pouco importa. Porque ser mãe é pra sempre, é ser pra sempre a pessoa mais importante pra alguém, é pra sempre ter sentido o sentimento mais importante que alguém pode viver. É pra sempre ter vivido uma experiência surreal, de expelir um pedaço de você nesse mundo habitado por bilhões de outras pessoas e ter que entender que um dia, esse mesmo mundo vai sugar esse seu quase quinto membro.

Apesar de achar que eu não preciso falar do meu amor incondicional à você, porque acho que demonstro isso todos os dias, inclusive naquelas horas mais chatinhas como quando preciso te educar, te repreender, te negar algumas coisas, venho por meio das palavras eternizar a maravilha que é ser sua mãe. Desde os nossos primeiros dias juntos, que não foram tão fáceis por conta de tanta novidade, já me sentia uma pessoa muito mais especial somente por você precisar tanto de mim. As suas primeiras risadas foram pra mim, as suas primeiras palavras foram pra mim, era eu quem você mais confiava e era na minha direção que você olhava ou vinha, quando não se sentia seguro. 

Desde que você nasceu, eu não tenho como escolher o momento mais marcante na minha vida, porque todos os que eu vivi e vivo com você são espetaculares. Simples gestos, simples demonstrações de afeto, momentos corriqueiros, como assistir à um desenho grudadinhos, por exemplo, tornam o “estar com você” a melhor coisa da minha vida. Com o seu crescimento e uma consequente maior interação, o amor e a delícia de ser mãe só aumentaram. Fico em êxtase com os nossos ataques de beijo, as nossas baguncinhas, as nossas gargalhadas, os nossos abraços apertados, as nossas trocas de olhares, as nossas descobertas juntos, a nossa cumplicidade. Essa chance de voltarmos a ser criança e a darmos importância pras coisas simples da vida, que o nascimento de um filho nos traz, é indescritível.

Pode parecer que eu ensino muito mais coisas pra você, do que o contrário. Mas garanto, sem falsas e clichês afirmações, que eu aprendo muito mais contigo. Aprendo o quanto é bom sentar pra brincar, ao invés de só ficarmos pensando em assuntos práticos, o quanto é bom viver um pouco uma fantasia, ao invés de estarmos sempre mergulhados no mundo real, o quanto é importante aguçarmos a nossa imaginação e deixarmos com que ela nos faça fluir de uma forma mais natural, distante da racionalidade que tanto nos é cobrada no dia a dia.

E como nos divertimos…

Desculpa se a mamãe às vezes ainda fica um pouco perdida com a sua rápida evolução e a chegada de novas fases. Se às vezes desconto em você frustrações que são somente minhas ou se em algumas vezes não te dou toda a atenção que desejas e mereces. Nunca vou te isentar de entender que eu também sou humana, que eu erro, que eu fracasso, que eu tenho dúvidas quanto às minhas escolhas, mas também vou sempre te mostrar que dou o meu melhor. Não tenho a pretensão de ser a melhor mãe do mundo mas vou sempre me esforçar sempre pra ser a melhor mãe que eu posso ser pra você.

Poderia ficar aqui horas divagando sobre esse amor, tão grandioso, tão inexplicável mas prefiro correr pro seu lado e tentar não perder nem um segundo do seu crescimento.

Te amo. Amo você. Do tamanho de um dinossauro. Do tamanho de um planeta, como você costuma dizer ou “te amo infinito e além”, como diria nosso queria Buzz.

Com amor, mamãe.”

Fotinhos que tiramos hoje num parabéns improvisado, mas que fez surgir aquela sua alegria, que fazemos qualquer coisa no mundo pra ver!

 

Parabéns meu Amor!!! E que venham mais muitas datas como essa!!!

beijo beijo

 

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3 respostas em “Carta ao meu “João Pedo”.

  1. Lindo Ju, só mãe de verdade sabe como são todos esses momentos com eles, eu que acompanho teu blog coincidentemente desde 2010, vi o “joão nascer” , todo crescimento e esperteza dele, como a mamãe nos retrata aqui no blog, tava até com saudades das fotinhos, pois quem acompanha há dois anos como eu, ele também faz parte de tudo, inclusive da tua maturidade como mãe, mulher, e uma talentosa escritora, bjos nesse bebê lindo e que a cada dia ele seja mais iluminado. Parabéns pela tua família e que vocês sejam mais abençoados, bjos.

  2. Que lindo Juliana, chorei, acompanho teu blog desde o começo desse ano e como o joão cresceu ne? óbvio! kkk, quem é mãe sabe desse amor incondicional, gosto do teu blog pela diversidade, a cada dia um novo assunto inesperado, é muito bom, muita gente gosta, acho muito legal você mostrar este lado familiar tão deixado de lado hoje em dia, hoje se dar mais valor as futilidades, “estranhos amigos” luxos, tecnologias. E a família? Se destruindo, então, ler esta tua carta, ver você mostrar teu filho, o paizão coruja dele, é muito importante para descerrar os olhares de muitos que ainda não descobriram isso. Continua juliana além de estar crescendo como mãe, teus textos estão cada vez melhor, esse para você foi mais fácil né? O coração fala e você traduz em palavras este sentimento maravilhoso, bjos Juliana, a você e a essa família linda que você construiu.

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