Saia da janela que você vai perceber a sujeira no chão da sua sala.

Há muito tempo atrás, falei no meu antigo blog sobre a dúvida que surge quando se precisa definir o estado civil em casos ainda, vamos dizer, não definidos. Por exemplo, quando se engravida namorando, quando se mora junto, quando se esta noivo há uma década. Enfim, quando se foge dos padrões (medonhos e restritos) criados pela sociedade, desde sempre. E o termo “medonho” ali não é por uma simples revolta interna, não! Claro que quando passamos por essa chatice de rotulações, ficamos peritos no assunto. Mas a maturidade (falou “a matura”) também me trouxe uma nova forma de encarar a vida, sem TANTOS julgamentos (porque nenhum, é praticamente impossível). Acho até que antes de engravidar e ir morar junto, eu quem sabe, também tivesse um pré-conceito contra quem não obedece àquela regra básica do “namorar-noivar-casar-morar junto-ter filhos-e ser feliz pra sempre”. Mas realmente se um dia eu pensei assim, hoje, penso completamente diferente.

E pra quem vive nessas situações “quase que mutantes” citadas ali em cima, o preenchimento de uma simples ficha de supermercado, por exemplo, pode acabar com o seu humor e consequentemente, com o seu dia. Eu diria pode, mas não que deve! Nossa, como eu já passei e pensei sobre isso. Estado civil, profissão, idade, raça, podem ser conceitos tão abrangentes, tão indefinidos. “Minha raça? Olha, senhora atendente, minha família materna é tudo loira de olho azul mas os parentes por parte do meu pai são todos morenos do cabelo escuro. Meu avó paterno, inclusive, tinha aquela cor de índio, coisa mais linda. Então à primeira vista eu até posso parecer de raça “branca” mas é só pegar um solzinho que eu fico bugre igual o meu querido avô”. Mas dá pra explicar tudo isso na ficha? “O meu estado civil, querida recepcionista? Então, eu namorava, depois engravidei e fui morar junto, o que caracteriza uma união estável com os mesmos direito civis de um casamento. Então, meu namorido me pediu em casamento e passamos a nos chamar de noivos. Mas como estávamos sem grana pra casar, decidimos usar a aliança no dedo esquerdo. Porém, conseguimos finalmente marcar a data do casamento e acabamos mudando o anel novamente pro lado direito. Mas agora em Outubro, ele voltará pro lado esquerdo e seremos oficialmente casados”. Ufa. Nessa hora, a recepcionista já esta mexendo no celular e resmungando pra eu colocar então, qualquer opção.

Quantas definições precisamos dar, hein?

Mas o pior são as pessoas que ainda acreditam que essa ordem dos fatores (no caso de casamento) ainda influencia no resultado. Não sei se foi pela proximidade do casamento, mas ultimamente tenho vivido muito também com a questão do seu fim. E como venho aprendendo muito nas minhas terapias da vida, a não julgar os outros, afinal da única pessoa que você sabe ou deve saber de alguma coisa, é de você mesmo, venho tendo cada vez menos paciência com os que olham pra vida dos outros, através das lentes da sua própria vida. Se uma amiga minha vem me dizer que vai morar junto com o namorado, mesmo sem eles nem terem conversado sobre casamento, o que eu vou dizer pra ela? Quero mais é que ela seja feliz! A minha opinião, é somente minha. E eu jamais vou perder um minuto sequer do meu tempo, preocupando-me com a vida dela. Não porque eu não a ame, mas porque quem sou eu pra achar alguma coisa sobre as escolhas dela, quando ainda tenho dúvidas quanto às minhas próprias escolhas.

Ainda ouço muitos julgamentos sobre essas questões de relacionamento. Mas morando junto já há 3 anos, sem estar oficialmente casada, percebi que não existe fórmula mágica pra um relacionamento dar certo. Não é primeiro uma aliança no dedo e depois a divisão das escovas de dentes, que vai garantir que esse casal um dia não termine. Se a única questão do julgamento for o fato dessa desordem, de que depois eles nunca mais vão casar, de que pro cara é tudo muito fácil, sinceramente, acho de uma falta de sensibilidade tremenda. Quem julga, também deve ser respeitado, afinal, esse seu pensamento, é tudo o que ele tem pra oferecer ao mundo, mas o que eu quero dizer, é que julgamentos baseados em padrões sequenciais impostos pela sociedade, não tem qualquer validade e credibilidade. Quantos casamentos que aconteceram com toda essa sequência de rituais, mas que por falta de requisitos bem mais importantes, chegaram ao fim? O que precisa mais num relacionamento, além de amor, respeito, companheirismo e lealdade? Uma aliança? Uma festa de casamento? Na primeira crise, principalmente financeira, se todos aqueles sentimentos ali não existirem, a relação se acaba bem rapidinho.

Se duas pessoas escolhem ficar juntas porque se amam, se decidem não seguir todo o ritual por uma escolha própria e consciente, porque isso deve ser questionado por outras pessoas?

E eu aqui não estou julgando isoladamente ninguém que teve esse tipo de julgamento. Estou indo contra quem demonstra isso pras pessoas. Podemos ter a nossa opinião, que sempre é formada de acordo com os nossos valores (e é o que eu estou dando aqui, a minha opinião, a minha forma de enxergar). Mas somos tantos e tão diferentes. Não existe quem esta certo e quem esta errado. Existe quem se coloca no seu lugar de telespectador da vida alheia. Quando focamos os outros com a nossa lanterna da vida, ficamos nós mesmos no escuro completo. Quando falamos e falamos dos outros, não temos a chance de fazermos silêncio e prestarmos atenção em nós mesmos. Quando cuidamos da vida dos outros, estamos perdendo tempo de cuidar do nosso próprio jardim. Quando achamos que o outro precisa de uma ajuda, de um conselho, não pensamos em nós e tiramos do outro a chance de ele mesmo aprender a viver com as suas próprias escolhas. Podemos até fazer tudo isso por amor, por amar esse outro, mas quem diz ou dá o que não lhe é pedido, dá demais, dá além e portanto, torna-se inadequado.

Sempre fui muito de julgar os outros. Já dei muita opinião não solicitada, já me achei muito a dona da razão. Mas a vida ensina (pra quem quer aprender). Hoje eu ainda até posso julgar em pensamento, mas já não mais me expresso (mesmo quando solicitada e repito, esse texto é uma amostra da minha forma de enxergar e não de “julgar os julgamentos dos outros”). E mesmo quando apenas penso, sempre paro e faço uma auto-reflexão desses meus julgamentos. Até o dia em que, quem sabe eu realmente não me preocupe mais com as vidas que não me pertencem.

E não me entendam como uma pessoa arrogante, que esta dizendo que hoje é madura, evoluída e o escambal. Enxerguem esse texto como um depoimento de quem sempre foi muito faladeira, muita cheia de justificativas, muito cheia de razão. Mas que começou a enxergar todas essas desnecessidades, e que a cada dia esta exercitando esse não enfoque nos outros, mas sim e apenas, em mim mesma. Isso não quer dizer que serei egoísta, que não sairei mais com as amigas, que não ficarei mais preocupada com elas e suas decisões. Mas que eu venho tentando não apenas julgar, não apenas apontar o que eu enxergo como possíveis erros, mas sim, escutar e quem sabe, se solicitada, compartilhar humildemente, tudo o que venho aprendendo.

Esse não foi um desabafo isolado, direcionado e muito menos quero que seja entendido como uma lição de moral. Tudo o que eu venho aprendendo, foi lendo, escutando, lendo, escutando. E as ideias desses textos são sempre a de compartilhar, em síntese, todo esse aprendizado. Às vezes quem já se percebe o tempo todo, preocupado ou achando que precisa “ajudar” alguém (muito porque se julga mais entendido do que essa pessoa), é quem na verdade precisa de ajuda, precisa dessa preocupação.

É olhando pra fora que eu fujo de olhar pra dentro.

Montagem com as minhas fotos de janelas.

E você, vem mais pendurado na janela da sua casa, olhando e cuidando da vizinhança, ou já percebeu que na verdade, o que importa mesmo, é você fechar a janela e prestar atenção no que acontece dentro da sua casa, dentro de você?

Fica a reflexão.

beijo beijo

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2 respostas em “Saia da janela que você vai perceber a sujeira no chão da sua sala.

  1. Juliana, também aprendi que sempre é tempo de aprender, em todas as fases ou idades. Cuidar de nós será sempre a primeira lição a ser aprendida e como também tenho aprendido, pode ser difícil ou divertido, depende da nossa escolha! Parabéns pelo texto.

  2. adoreiii o texto =) o minha regra básica “é ser feliz” …. e ela não interfere em nenhuma ordem cultural que as vezes achamos que devemos seguir …

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