A história de Maria Fernanda, Maria Clara ou Maria “Você”.

Engraçado que o dia em que eu escrevi esse texto, não estava chovendo e não era uma terça-feira. E hoje quando decidi postá-lo aqui, dei risadas ao ler a parte que menciona aqueles conflitos que surgem em dias comuns, geralmente nublados e chuvosos.

O texto pode parecer meio louco. Mas ele foi um exercício pra mim. E a mensagem que fica é a de que todas nós podemos ser essa Maria, mesmo se tivermos 20, 30, 40, 50 ou mais anos. Que bom se vivermos esse momento mais cedo, quando ainda temos muita vida pela frente. Não que aos 50 não tenhamos, mas vamos combinar que aos 20 o futuro nos remete a um espaço bem maior de tempo, não?

Então, se alguma questão te afligir no dia de hoje (que é chuvoso aqui em Floripa), preste um pouco mais de atenção nela. Sabe aquela música que não sai da nossa cabeça? (tirando os hits babacas e desconexos) Talvez ela esteja querendo te dizer alguma coisa. Às vezes pode ser um recado do seu inconsciente. Pare e escute os recados que o seu corpo vem tentando te dar.

E agora vamos a história da nossa Maria…

A história de Maria Fernanda, Maria Clara ou Maria “Você”.

                E por um momento ela se sentou um pouco, porque o peso que carregava dentro de si, já não podia mais ser suportado por suas pernas. Engraçado esse encontro entre os sentimentos, que são praticamente abstratos e uma dor física, que pode ser sentida de maneira absolutamente concreta pelo nosso corpo.

Sentada ali, Maria procurou aquietar o turbilhão de emoções que se faziam dentro dela e tentou descansar os olhos aleatoriamente em algum ponto da sala. Mas não adiantava fugir, quando as nossas aflições chegam ao seu limite, tudo ao nosso redor parece gritar para que as enxerguemos. Assim, seus olhos se depararam justamente com uma foto do dia do seu casamento. Dois jovens felizes, vivendo um dia importante de suas vidas. Tantos desejos, tantas vontades, tantas afinidades. Nesse momento, Maria tentou fechar os olhos pra ver se conseguia sentir tudo de bom que invadiu o seu corpo naquele dia, como num último suplício de não ter que tomar uma decisão. Um segundo, dois segundos e o “tudo de bom” só era conseguido ser sentido como uma lembrança boa, nada mais.

Mas e agora? – se perguntou ela, desolada. O que fazer com todos os recados que a minha cabeça vem me dando, de que algo não vai bem? Mais uma vez, seus olhos encontraram uma foto. Dessa vez, da família que ela e Fábio haviam formado ao longo de quase 30 anos de casamento. Ao olhar os seus dois filhos, um sentimento de culpa dominou cada célula daquela mulher imóvel no sofá. Como me mexer? Maria pensou que talvez esse fosse mais um daqueles momentos que podem ser contornados com algumas pílulas, com uma desculpa de que devem ser os hormônios da idade ou com algumas explicações psicológicas atribuídas às mulheres que chegam aos seus 50 anos. Mas será? Ela se perguntava, como poderia diferenciar se esse seu sentimento de vazio poderia ser justificado com todas essas razões ou se realmente faltava algo dentro dela, algo que fora adormecido pela vida que se seguiu, mas que agora acordara com uma enorme fome de viver.

Todos esses devaneios foram interrompidos com o barulho de chaves na porta de entrada do apartamento, que anunciavam a chegada de alguém. Maria balançou a cabeça como se assim, fosse possível sair do transe em que havia se enfiado naquela tarde chuvosa de terça feira. Naquela tarde absurdamente comum, aonde o mundo lá fora continuava no seu ritmo normal. Crianças pulavam nas poças da calçada, o trânsito, como de costume, estava caótico, sirenes denunciavam os efeitos de longos dias de chuva. Naquela tarde comum, onde nada parecia ter mudado muito na Terra, mas que alguma coisa dentro de Maria, parecia não ver mais esse mundo da mesma maneira.

– Maria? – chamou Fábio – você esta aí?

Por um segundo, Maria tomou aquela pergunta num sentido não literal da questão. Porque sim, ela estava ali. Estava em casa, sentada no velho sofá, vestindo as mesmas roupas de sempre. Mas ao mesmo tempo, não. Maria não estava em casa. Maria sequer estava presente naquele momento. E o pior de tudo, ela nem sabia pra onde realmente queria ir.

Boa terça feira pra todo mundo.

beijo beijo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s