Você é o artífice da sua vida – continuação da Vasalisa.

Os 3 dias em São Paulo foram tão intensos que ainda não tive tempo de absorver todas as informações para sentar e escrever (fora que estou cheia de compromissos a respeito do casamento). Mas como eu mesma já estava agoniada com a minha ausência aqui, vim postar a continuação do conto da Vasalisa, pras que me cobraram isso! A continuação da continuação, não sei quando vem, porque ainda tenho que escrever. Mas juro que pelo menos semana que vem consigo postar.

Segunda feira teve post meu no blog Delicinhas de Pera, falando um pouco sobre o que foi a Casa Tpm. Mas escrevi tão afobada que esta cheinho de erros de português. Quis me matar ontem quando fui reler, já publicado. E olha que eu li umas 3 vezes antes de mandar pra Thayse. Mas eu já estava com um olhar tão viciado que deixei alguns passar.

Enfim, ainda quero muito, tempo pra escrever aqui sobre tudo que aconteceu em São Paulo! Mas só vou fazer um parênteses aqui. Conheci muita gente interessante nesse final de semana, mas preciso destacar uma delas, que essa semana me deixou um comentário fofo demais.

“Ju, definitivamente você é uma mulher feita de brisas…
Te conheci num dia e no outro já sentia sua falta, do seu riso consciente, da sua mente sagaz, da doçura com que pensa sobre tudo.

Sim, ás vezes a gente morre um pouco com algumas coisas. Mas só assim é que podemos ter espaço livre suficiente na vida pra que coisas melhores possam nascer, crescer, tomar conta, evoluir.

Que mais ciclos possam ascender! Se reencontrar mais evoluída, madura, feliz, serena, realizada, a cada dia, e com um sorriso ainda maior!”

Lary, quase chorei com o que você escreveu. Porque nos conhecemos assim na fila e pra mim também já foi difícil dizer aquele tchau no domingo. Percebeu que eu saí meio que dizendo “até amanhã…”? Sou péssima em despedidas. Canceriana…devo ter te falado isso, né? Aliás, em 2 dias talvez tenhas me conhecido mais do que muita gente que me conhecesse há muito tempo. Domingo à noite no aeroporto fiquei pensando nisso. Sobre os tipos de amizades que eu construí durante a minha vida. E essas assim de repente, que surgiram de afinidades tão fortes, mesmo nós duas sendo tão diferentes (fisicamente, da forma como nos vestimos, o tipo de cabelo, o lugar aonde moramos).

Espero muito que possamos nos reencontrar novamente ou pelo menos manter bastante contato aqui nesse mundo virtual. Que de uma forma nos uniu e que dessa mesma forma, deverá nos manter em sintonia. Afinal, quem vai me entender quando eu quiser ficar lembrando nostalgicamente sobre a Casa, sobre os brindes (que me ensinavas como ganhar sem muita conversa fiada), sobre o salva vidas solitário, sobre a cólica da Nina Lemos…hahahaha.

Gente, Lary escreve num blog também, “Dando tilt”, e adivinhem qual a frase que o explica? “Porque todo excesso precisa de vazão. Senão dá tilt mesmo…”,tipo, Laryssa também precisa transbordar escrevendo. Isso lembro vocês de alguém?

Então, aqui vai a continuação do post sobre Vasalisa e a busca pelo resgate da nossa intuição.

Já falei que intuir não significa agirmos por impulso, reagirmos à uma determinada situação. Significa pararmos, afastarmo-nos, refletirmos e então agirmos. Aprendi lendo o livro “Co-dependência nunca mais” (do qual também já falei aqui), que muitas vezes nos tornamos pessoas reacionárias, daquelas que estão o tempo todo reagindo. Agimos assim porque não enxergamos outro modo de atuar. Achamos que vivendo assim, estamos nos defendendo de certo modo. Repito muito aquele velho clichê de que nem sempre o ataque é a melhor defesa. Geralmente quando queremos nos defender de algo que não nos agrada, por impulso, atacamos. Mas ser assim cansa, não cansa? Parece que estamos sempre em alerta. Quem nunca, durante uma briga, deixou de falar o que realmente queria dizer e depois ficou se crucificando por isso? Ficou remoendo toda a discussão, morrendo de raiva de si mesmo por não ter demonstrado o que realmente queria. Pessoas reacionárias, justamente por apenas reagirem, não param pra pensar e refletir sobre tudo o que aconteceu.

No conto da Vasalisa, lá no comecinho, quando a mãe dela morre, a menina recebe como benção de mãe, uma bonequinha. E o que Vasalisa faz? Guarda a bonequinha, que significa o seu poder de intuição, dentro do seu avental. Quando a madrasta e as enteadas vem morar com Vasalisa e seu pai, a menina em momento algum consulta a sua boneca. Em nenhum momento ela se questiona e recorre à essa benção recebida. Porque? Porque ela simplesmente esta vivendo da forma que sempre viveu. Ela não tem qualquer dúvida, porque nem imagina que poderia agir diferente. Mas quando ela se depara com a floresta escura, com o desconhecido, quando ela não sabe como agir, ela lembra daquela bonequinha que estava dentro do seu avental. E lembra das palavras de sua mãe. Então diante do que não conhece, pela primeira vez, entra em contato com a intuição e ouve o que ela tem a dizer.

No livro da Clarissa, depois do conto, ela enumera 9 tarefas que Vasalisa, ou no caso eu e vocês, precisa cumprir para alcançar o que ela chama de iniciação desse processo de resgate da nossa mulher selvagem, àquela que usa a intuição e consequentemente sabe o que fazer. Quando ela diz que ao longo do tempo a mulher selvagem que reside dentro de todas nós, foi domesticada, ela quer dizer, que fomos vivendo a vida sem nos questionarmos sobre o que estávamos fazendo. A sociedade, a história em si, a mídia, nos dias de hoje, estabelecem certos padrões que devemos seguir. Então quando nos encontramos encaixotados nesse excesso de normalidade (termo que aprendi no livro), nem paramos pra consultar a nossa bonequinha, a nossa intuição, porque achamos que sabemos o que estamos fazendo. Antes de o fogo ter se acabado, quando Vasalisa ainda estava na casa,  fazendo tudo o que ela sabia fazer, limpando, cozinhando, lavando, varrendo, ela nunca precisou parar pra perguntar nada à ninguém. Afinal, ela sabia fazer tudo aquilo ali. Mas quando ela se deparou com o desconhecido, lembrou que existia a intuição, a quem também podia perguntar o que fazer agora.

A primeira tarefa, no livro da Clarissa, chama-se “Permitir a morte da mãe boa demais”. Aqui não estamos falando apenas em mães que são boas demais, estamos falando de pessoas que são boas demais num modo geral. Uma esposa que faz tudo pelo marido, um filho que faz tudo por um pai ou uma mãe que faz tudo pelos seus filhos. A primeira tarefa de Vasalisa, era a de deixar de ser sempre boa demais para sua madrasta e suas irmãs.

E reparem que essa primeira tarefa, assim como as outras oito, vem precedida de um verbo, nesse caso, permitir. E verbo significa uma ação. Permita que essa pessoa boa demais morra dentro de você. A Soninha sempre fala que tudo que é demais, torna-se inadequado. Vou dar um exemplo bem comum aqui. Uma mãe, que tem um filho e que esta sempre fazendo tudo por ele. Chega um determinado momento em que ela passa a se sentir explorada. Então desata a dar longos discursos, dizendo que ele tem que lavar a louça depois de comer, que ele tem que arrumar o seu quarto, que ele tem que obedecer as suas regras. Porém, quando o filho não lava a louça, não arruma o seu quarto, não a obedece, o que ela faz? A boa demais, vai lá e lava a louça, arruma o quarto, porque se diz cansada de ficar falando e falando. Mas me diga você, porque o filho vai se dar ao trabalho de arrumar o seu quarto, por exemplo, se ele sabe que depois a sua mãe vai arrumá-lo pra ele? Quem esta inadequado nesse caso? Aqui fica claro o que eu já falei sobre o não esperar a mudança de atitude do outro e sim mudar a sua atitude perante esse outrem. Com a permissão da morte dessa mãe boa demais, o que vai acontecer aqui é que essa mãe, ao invés de ficar discursando e automaticamente se tornando uma pessoa chata e se cansando de viver esse papel, simplesmente não vai mais fazer o que o filho não faz. E também quando nós fazemos algo pelos outros, sem muitas vezes nem termos sido solicitadas, é como se nos julgássemos melhores do que essa pessoa, como se disséssemos que esse alguém é incapaz de realizar essa tarefa. Você deixar a pessoa sofrer as consequências da ausência de alguma atitude, é você mostrar pra essa pessoa que ela também é capaz de fazer. Vou dar outro exemplo que aconteceu muito comigo. Na faculdade quando tinham os trabalhos em grupo, pra eu não me irritar, fazia tudo sozinha. Então, quando ganhava uma nota 10, ficava indignada porque eu tinha feito tudo sozinha e todo mundo também ganhava a mesma nota. Quem estava inadequado nesse caso? Eu, somente eu. Eu me julgava melhor do que os outros, tomando o trabalho todo pra mim. E eu podia tirar satisfação com os outros? Claro que não, porque eu mesma tirei a chance deles de tentarem fazer o trabalho. Quando fazemos pelo outro, algo que não cabia a nós mesmos, ficamos com raiva. Mas temos que ter a consciência de que fizemos porque a gente queria ter feito. Então ou eu não fazia mais nada com aquele grupo, ou eu fazia mas não tinha o direito de ficar indignada depois.

Venho cada vez mais aprendendo, seja com o curso, seja estudando o Budismo, seja lendo sobre o assunto, que não podemos culpar os outros pela nossa falta ou excesso de atitude. Mas parece que estamos sempre buscando um culpado, na fuga de olharmos pra dentro de nós mesmos. Escutei durante o curso que você é o artífice da sua vida, do seu destino. Somente você é o responsável pela sua felicidade ou infelicidade. Ninguém mais.

Quando Clarissa fala em permitirmos a morte da mãe boa demais, ela nos lembra que precisamos aprender a deixar morrer algumas coisas na nossa vida. Que morrer nem sempre significa uma coisa ruim (como eu mesmo falei no meu últimos post aqui). Todos os dias, alguma coisa morre dentro da gente. Pode ser uma ideia, um valor, um desejo, um sentimento. E podemos aceitar essa morte ou deixar que essa necessidade de findar algo, vá sangrando, vá te atrapalhando, até o momento em que não há mais como se esquivar. O verbo permitir traz uma leveza consigo, porque permitir a morte não significa se desligar com amargura. Àquela mãe do exemplo ali de cima, não precisa odiar o filho pra parar de ser boazinha demais. É se desligar de algo com respeito, com amor.

E essa conscientização, esse reconhecimento do que em você esta inadequado, é um trabalho solitário. Somente você pode fazer isso, ninguém mais. Assim como ninguém pode fazer por você.

Mas não pensem que é tarefa fácil. Você vai sempre encontrar mil desculpas pra não sair da onde se encontra. Porque você esta ali há muito tempo, presa, envolvida sendo boa demais. E quando você se transformar, também vai encontrar muita gente dizendo “Ei, que história é essa? Você sempre fez isso por mim”.

Na teoria tudo sempre parece muito fácil, mas não custa tentar. Diante do escuro da floresta, você vai ter que escolher se vai ou se fica. E como eu sempre repito que “somos as escolhas que fazemos”, se você escolher recuar, não tem problema, mas depois não reclama da forma como o mundo age com você.

Mas é preciso estar pronto, estar buscando melhorar. Respeito que cada um tem o seu momento e me respeitando, descobri que o meu é esse. Eu sou uma Vasalisa diante do desconhecido e escolhi encarar as trevas, escolhi enfrentar a bruxa megera. E você, vai se agarrar à sua bonequinha, à sua intuição, ou vai voltar a ser a gata borralheira?

Juro que logo eu volto (pra ajudar meu notebook esta no conserto, então estou num daqueles bem pequenos em que é um parto digitar longos textos).

beijo beijo

Anúncios

3 respostas em “Você é o artífice da sua vida – continuação da Vasalisa.

  1. Pingback: Quem é o seu trio perverso? – continuação da Vasalisa. | Juliana Baron Pinheiro

  2. Pingback: Superego e o depoimento de amigas especiais! | Juliana Baron Pinheiro

  3. Pingback: O porquê da caveira. | Blog "Psicologando"

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s