Você é mesmo livre?

Eu costumo chamar os meus momentos que nada lembram o meu papel de mãe, de “momentos além da maternidade”. Desde que o João nasceu, esses momentos se resumem à saídas com as amigas ou com o marido, aos cursos que ando fazendo para me ajudarem a crescer como pessoa (essa semana comecei a fazer Coaching, nem preciso dizer que já esta sendo demais), à mini viagens com o marido. O momento mais além da maternidade que aconteceu até hoje, foi uma viagem ao Rio de Janeiro que fiz com 10 amigas no final do ano passado. Passamos 4 dias, dividindo um apartamento, fofocando, saindo, indo à praia.

Quando marcamos essa viagem, confesso que fiquei um pouco temerosa, já que andava super cansada, consequentemente muito irritada e não sabia se estar dividindo o mesmo espaço com 10 mulheres não resultaria em diversos desentendimentos. Mas decidi ir de coração e mente aberta. Frisava pra mim mesma que só o fato de eu estar indo viajar pra um lugar tão maravilhoso, com amigas tão queridas, já era o suficiente. Seriam 4 dias em que eu pensaria somente mim, sem ter que me preocupar com filho, fraldas, mamadeira, cardápio de almoço, marido, trabalho. Acordaria a hora que eu quisesse, iria aonde eu quisesse ir, mesmo que as outras não estivessem afim e que finalmente, depois de um tempo sendo mãe, poderia ficar um pouco só comigo mesma. Então pensava que qualquer programação já seria perfeita, como uma forma de libertação. Até ir tomar café da manhã na padaria, já seria considerado um mega programa.

Talvez por tudo isso, o passeio foi realmente maravilhoso. Até fui eleita a mais legal da viagem…hahaha…logo eu, que sempre fui a chata, a crítica, a encrenqueira. Mas eu estava tão de boa, com o coração tão leve, que acho que passei isso pra todas as outras.

Então que amanhã vou viver mais um momento desses e dessa vez, totalmente sozinha. Já falei aqui que me dei de presente de aniversário, participar de um evento de uma das minhas revistas favoritas, a Tpm, em São Paulo, nesse final de semana. O evento se chama Casa Tpm, vai acontecer sábado e domingo no Nacional Club e vai focar no tema do Manifesto Tpm que faz a seguinte pergunta, pra nós mulheres, “Você é mesmo livre?”.

Pra vocês entenderem melhor, aqui tem um vídeo do Manifesto e um trecho que eu copiei do final do texto do site da Tpm, que fala sobre o assunto.

“Contra os novos clichês femininos e os velhos estereótipos, que cismam em se reinventar desde o tempo de nossas avós (aliás, devidamente homenageadas nas fotos do manifesto). Contra qualquer tentativa de enquadrar a mulher em um padrão, cercar seu desejo e diminuir suas possibilidades. Essas ideias dão o tom a uma série de eventos, ações e reportagens pelas próximas edições – a primeira delas é “Toda mulher sonha em ter filhos. Hein?!?”.

Se liberdade é ser a mulher que você quer ser, diz aí: você é livre?”

Deu pra sacar que o tema do Manifesto tem tudo a ver com o que eu vivo falando por aqui? Então que na edição da revista desse mês de Julho, que foi por onde eu fiquei sabendo da Casa Tpm, a reportagem de capa perguntava “Você deu conta de tudo hoje?”

A reportagem dessa pergunta da capa fala sobre o quanto nós mulheres, mesmo hoje, quando já conquistamos tantos direitos e tanto espaço, muitas vezes nos tornamos reféns dessa condição. Como continuamos com as mesmas preocupações e cobranças da época da nossa avó. Fazemos listas e mais listas de tarefas a serem cumpridas, nos cobramos em dar conta de tudo, de exercer bem todos os nossos papéis, nos sentimos obrigadas a termos filhos. Enfim, não sabemos gozar livremente dessa nossa liberdade adquirida. Os tempos mudaram mas às vezes tudo parece igual.

Aqui tem a reportagem completa e eu fotografei as frases principais com as quais eu me identifiquei bastante.

Na reportagem ainda tem dois textos, de duas escritoras que eu adoro, a Nina Lemos (de quem já falei aqui há alguns dias) e a Lia Bock, autora do blog “Eu lia tu lias”.

No evento vão ter debates, conversas, música, tudo circundando esse tema. Vou me encontrar com figuras que eu admiro demais e que seguem a mesma linha de raciocínio que eu tenho sobre a vida. Já falei que amo o universo feminino. Adoro observar as mulheres, suas contradições, suas particularidades, suas multi facetas. Adoro ler o que mulheres escrevem, também sobre esse nosso universo e algumas delas vão estar participando do evento. Mirian Goldenberg, antropóloga, Paula Lavigne, produtora, Maria Ribeiro, atriz e colunista da Tpm, Milly Lacombe, colunista da Tpm, entre outras. Também vão ter alguns homens participando. Entre eles, Xico Sá, que é um dos apresentadores do Saia Justa, escritor, jornalista, “observador e aprendiz das fêmeas”, como ele mesmo se define, colunista de alguns jornais, entre eles, Folha de São Paulo e uma pessoa que eu admiro bastante.

No sábado o evento vai começar com uma discussão sobre “O que é ser mulher?”. Na sequência, os participantes vão falar sobre vários temas. Estou louca pra ouvir o tête-a-tête sobre maternidade com as autoras do blog Mothern e sobre o cérebro feminino com a neurocientista, Suzana Herculado Houzel, que ficou conhecida pelas suas participações no Fantástico. O show de encerramento vai ser com a cantora Karina Buhr, que também tem um blog no site da Tpm.

No domingo os debates vão ser abertos com o tema “A moda invade a sala – moda liberta ou escraviza?”, que vai contar com a participação do estilista Ronaldo Fraga, Marília Carneiro e da modelo Carol Ribeiro. Depois vão ter vários tête-a têtes e no final um show com Wanderléa e Marina Lima.

Tudo de bom, hein? Pra quem quiser ler algumas reportagens que servem de esquenta pra Casa, é só entrar aqui.

Viajo amanhã bem cedinho. Pra quem não sabe, antes de engravidar do João, morei uns meses em São Paulo, e apesar de todas as críticas à cidade, tenho por ela um carinho especial. Muito porque sou sedenta de cultura, informação e a cidade respira isso. Já programei meus passeios favoritos, como ir na Livraria da Vila na Alameda Lorena, ir na Livraria Cultura no Conjunto Habitacional, já comprei ingressos pra duas peças de teatro. Uma é na sexta e tem como protagonista, Gabriela Duarte e a outra é no sábado, chamada “A vida é um teatro”, que fiquei sabendo ontem assistindo ao Saia Justa. Também já marquei jantar com a família pra entregar o convite do casamento. Vou levar meu computador, meus livros, quero caminhar pelos Jardins. Enfim, vou fazer o que me der vontade e curtir um pouco a minha companhia.

No meu contato com vários blogs maternos, muitas vezes me deparo com mães relatando sobre viagens que estão programando sem os seus filhos. Muitas vezes, elas dizem que os filhos tem uns 7 anos e que desde então nunca passaram uma noite longe deles. Socorro. Claro, cada uma sabe o que faz da sua vida. Mas eu não me imagino, sob hipótese alguma, totalmente grudada no João. Sofro de saudades mas jamais me privo de passar momentos longe dele! Fico pensando, cadê a vida dessa mães? Porque essa dificuldade em se desvencilhar desse papel, que é apenas UM entre tantos outros? Prezo muito pela minha individualidade e isso quer dizer que preciso ter os meus momentos. Vou, encontro-me, curto a minha companhia ou a companhia de amigas e marido e depois volto uma pessoa muito melhor, uma mãe muito melhor. Repito, cada mãe sabe das suas escolhas, se é que realmente é uma escolha dela. Mas sempre fico intrigada quando conheço uma que fica em casa o dia inteiro com o filho e que só vai levá-lo pra Escola depois dos 2 anos. E o fato aqui não é nem a parte da Escola, porque eu conheço uma mãe, de quem eu tenho profunda admiração (alô doutora Gabriela), que ainda não botou o filho na Escola e deixa ele em casa com uma babá, mas que uma vez por semana sai pra jantar com o marido, que viaja sem o filho, que alimenta os seus papéis que vão além da maternidade. Não sei pras outras, mas pra mim, disso depende minha sanidade. Pra mim, isso é ser livre. Pra mim!

Então, já iniciando os trabalhos do final de semana, o que é ser livre pra você?

Escolher não ter filhos?

Escolher largar o trabalho pra cuidar exclusivamente do seu filho?

Escolher ser mãe mas continuar trabalhando e mantendo a sua vida social?

Escolher não se obrigar a dar conta de tudo?

Escolher almoçar todo dia fora?

Escolher não se preocupar tanto em aparentar ser mais nova e ter a bunda dura?

Escolher poder fazer as suas próprias escolhas?

Logo eu volto contando como foi essa minha experiência.

Agora vou arrumar a minha mala, a mala do filho pra ir pra casa dos avós, a lista da rotina de casa de amanhã…deixar encaminhado tudo que diz respeito à todas as minhas outras personas pra por pelo menos 3 dias, poder ficar somente na companhia da Juliana na sua mais pura essência.

beijo beijo

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8 respostas em “Você é mesmo livre?

  1. Ser livre é ter o poder da tua escolha sem se justificar pra ninguém, admiro as mulheres que abdicam de uma carreira profissional para se dedicar aos filhos ( Apesar que pra mim seria impossível) tem que ter coragem para enfrentar os olhares de quem acha ser isso inútil, mas não, ser mãe em tempo integral requer muito equilibrio. Do mesmo modo deve ser respeitada aquela que o filho só tem contato algumas horas por dia, mas que essas poucas horas são de profundo carinho e dedicação, liberdade são todas as escolhas que fazemos sem nos importar com que os outros pensam de nós, liberdade é ser feliz, quem se mata em vida em nome do que os outros vão falar, esse já é um morto em pé!

  2. Ju te mandei um e-mail ontem, não sei se tiveste tempo para ler, foi tirado de um livro de filosofia, é curto, porém diz muito, infelizmente não é seguido. bjos

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