Periguetes são as novas it girls?

Hoje teve post meu lá no Blog Delicinhas de Pera. Sem falsas modéstias, adorei o que eu escrevi. Clique aqui pra ler o texto.

Vou dar uma aliviada nas questões da minha incessante busca interior e vou postar um texto que esta há algum tempo no Rascunho. Ele não deixa de ter um quê de assunto que nos faz refletir, mas a reflexão é bem mais levinha.

O tema esta em várias rodas de conversa, fofocas de salão, letras de música, colunas, enfim, ta na boca do povo. O que são e quem são realmente as tão famosas  e comentadas periguetes?

Esses dias, houve essa discussão no programa Saia Justa. Depois eu li a coluna da Nina Lemos no blog do Estadão e como já vinha me fazendo essa pergunta, resolvi então falar sobre o tema aqui também.

Só um parênteses. Vocês conhecem a Nina Lemos? Eu já estava acostumada com esse nome porque assino a revista Tpm há anos e Nina escreve lá todo mês. Aí que num outro programa do Saia Justa, a Teté Ribeiro falou sobre a Nina e eu descobri que ela escreve também nesse blog do Estadão. Confesso que devorei os textos, identifiquei-me que vários temas tratados por ela lá, que também já foram falados por aqui, adorei a forma como ela escreve e a liberdade que possui em dar a sua opinião. Aliás, cada vez mais adoro pessoas opiniosas (e com conteúdo logicamente). Pena que muita gente por aí, não sabe dar o devido valor à quem pensa e fala (leia-se pensa e depois fala, ok?), não sabe separar a intenção de uma opinião de uma forma de grosseria e continua achando que sinceridade é apenas um defeito e não uma qualidade. Talvez por isso ainda exista tanto preconceito, tanta ignorância e tanto comodismo pelo mundo. E a Nina Lemos vai estar nesse final de semana na Casa Tpm, aquele evento em São Paulo promovido pela Revista Tpm, que eu falei que me dei de aniversário, lembram? Acho que vai ser muito legal. Fecha parênteses.

Então pra vocês, o que são as periguetes?

Já falei aqui diversas vezes, da dificuldade que nós mulheres temos, mesmo depois de tantos sutiãs queimados e de termos uma presidenta eleita, de nos livrarmos dos conceitos machistas que teimam em fazer com que nos rotulemos de acordo com a roupa que vestimos. Também falei que a roupa passa sim uma mensagem pros outros mas que cabe somente à você saber quem você é. Continuo não gostando de roupas justas, curtas, decotadas, brilhos e atitudes vulgares mas essa sou eu e não espero que todas pensem assim.

No programa Saia Justa que abordou essa questão, Xico Sá disse que as periguetes (termo que o Word ainda desconhece e sublinha de vermelho) sempre existiram mas que a indústria da moda de hoje, as massificou, como se tivesse havido uma padronização do grupo. Ele disse que a mulher não nasce periguete, mas que se torna uma por causa de diferentes motivos, como um término de relacionamento, por exemplo. Nesse ponto eu discordo um pouco dele. Considero o periguetismo como uma filosofia de vida, sabe? A exteriorização da personalidade daquela mulher.

Foi falado também que esse estilo pode ser considerado um produto genuinamente nacional. Eu particularmente não gosto quando retratam o Brasil com imagens de mulheres semi nuas dançando no Carnaval. Apesar de não curtir muito essa época do ano, não estou aqui querendo fazer grandes críticas à festa mas não me sinto confortável quando vendem o Brasil apenas se referindo à esse tipo de mensagem. Nossa, temos tantas coisas além de uma foto de uma mulata com os seios de fora, montada num salto 20 e vestida apenas com purpurina. Essa é uma das características do nosso país, sem sombra de dúvidas, mas não podemos nos resumir somente ao país aonde acontece o Carnaval, da onde saíram os melhores jogadores de Futebol e aonde se bebe muita caipirinha. O meu pai americano só sabia falar algumas palavras em português. Adivinhem quais eram? “Bunda”, “cãipirinha” e “cáRnaval” (todas faladas com aquele sotaque americano e um sorriso sacana na boca. É que nem nos vídeos promocionais daqui de Florianópolis, aonde só se mostram carros importados circulando pelas ruas de Jurerê (que são uns filhos da puta e andam a 200 km/h numa avenida aonde atravessam crianças a caminho da praia), mulheres bonitas sentadas na beira da piscina, bebendo Espumante (porque não é champanhe), que com certeza foi paga por um cara rico que na verdade só quer aquilo que vocês sabem. Claro, é direito delas fazerem o que quiserem com os seus corpos e eles não estão errados, afinal, só compram quem vos deixa comprar. Mas Floripa é tão mais que uma algazarra que acontece na temporada.

Mas enfim, voltando ao assunto das periguetes (que não tem nada a ver com as mulheres mencionadas acima). Durante o programa, passou um vídeo bem legal da estilista, Vivian Whiteman, falando sobre a moda das periguetes. E nele, ela fala que o que a elite veste consideram moda e o que a periguete usa, é considerado apenas uma modinha. Que as patricinhas às vezes até brincam de se vestirem como as periguetes, como uma forma de deboche. Ela diz ainda, que o Brasil deveria elevar as periguetes a pessoas finas porque burlaram essa padronização e realmente vestiram a camisa do direito que a mulher tem, de se vestir do jeito que quiser, sem ser considera uma piranha. E sempre se referem a personagem Suélen, de Avenida Brasil.

Aí esta um ponto no qual eu concordo. Tenho um abuso dessas meninas consideradas it girls (termo chamado de enjoativo pela Nina Lemos) simplesmente por conta das roupas caríssimas que vestem. Apesar de eu não gostar do termo, atribuiria-lhe a girls que tem um quê a mais, um estilo próprio e não um desses comprados em blogs de quem julga ditar moda (e na verdade não ditam nada, porque apesar de consumirem, são mais um produto das grandes grifes) e que estruturam a sua pessoa baseadas somente em vestimentas de alto valor. Um dia ainda vou eleger as minhas it girls, entre as garotas que eu conheço. Na verdade garotas não, mulheres, porque geralmente é com o amadurecimento que nos firmamos e adquirimos esse quê a mais do que eu falei. São meninas/mulheres que trabalham desde sempre, pagam sua própria faculdade e são pessoas riquíssimas de espírito, de estilo, modo de pensar e modo de agir. São meninas/mulheres, que até tem bastante dinheiro, mas que vão atrás de fazerem o que gostam, dão um banho de conhecimento, humildade e que podem ser encontradas andando na rua com uma roupa barata mas um mega sorriso sincero no rosto e cheia de assunto bacana pra conversar. Sem problemas se ter dinheiro e gastar com o que se quer. O que me incomoda é a maneira como vem se considerando isso um paradigma de existência, uma elevação dessa simples condição financeira à alguém que tem o que compartilhar com as pessoas. Vocês me entendem? Blogs de moda de pessoas que criam suas roupas, acessórias, ensinam a se vestir bem sem gastar muito, eu acho muito legal. Até tenho uma pasta com eles aqui nos meus favoritos. Agora, só porque alguém tem dinheiro e consequentemente se veste bem e frequenta festas badaladas, ser considerada um sinônimo de quem tem um it, um diferencial, não consigo engolir. Alguém aí entendeu o que eu quero dizer?

Contrariando então, essa associação do termo it girl, com quem tem muito dinheiro mas que não se contenta apenas com isso e precisa mostrar por aí, Suélen pode ser considerada a it girl das classes populares, da massificação de um povo que mal tem dinheiro pra comer, que dirá pra gastar com peças caras e bem cortadas.

Mas o que mais me chama atenção nisso tudo, o que mais me maravilha em toda essa discussão (que eu não quero levar só pro meu lado que se indigna com a imensa futilidade divulgada hoje pelas mídias da vida), é a liberdade de existir que o termo trouxe junto com ele. É a divulgação desse outro lado, desse outro tipo de mulher, que é realmente livre. Não estou dizendo que concordo com o que a Suélen faz, que acho legal dar golpe nos homens, mas que as periguetes trouxeram à tona esse debate. Porque hoje, mesmo com toda a “liberdade” que adquirimos, ainda nos sentimos tão presas a julgamentos, conceitos, padronizações e rotulações. As periguetes não saem vestidas pra filosofar com as pessoas, elas mostram, sem vergonha, o que querem. São destemidas, corajosas e autênticas. Não fingem ser quem não são. Xico Sá atribui a elas, uma emancipação feminina de fato. Porque isso que eu continuo discordando dele e digo que não basta querer ser periguete, essa sensualidade livre tem que fazer parte da essência da pessoa. Eu Juliana, posso até me vestir como uma, mas dentro de mim vou estar morrendo de medo do julgamento que vão fazer de mim, do que os outros vão estar pensando. E as autênticas, não precisam provar nada pra ninguém. Não precisam criar blogs pra dizerem o que vestem, aonde foram, o quanto pagaram numa roupa. Porque elas estão por aí vivendo, sendo, existindo para além de uma necessidade de mostrar alguma coisa pra alguém.

Pra quem quiser ler mais a respeito, tem um texto aqui relacionado à esse assunto, da Nina Lemos, que vale a leitura.Também tem um texto aqui, do Xico Sá e aqui, da estilista Vivian Whiteman, já mencionada ali em cima.

No Saia, tentaram encontrar a versão de periguete para os homens, chamados lá de perigatos. Mas não houve uma definição exata dessa transferência de gênero. Porque o homem sim, desde sempre, pode usar o periguetismo como uma roupa que veste dia sim, dia não. E como os homens nunca precisaram de um termo que os livrasse de julgamentos, já que justamente por serem homens, sempre foram livres e isentos de rotulações, eles nem possuem características, como uma saia curta e um salto alto e nem necessitam de uma preparação, que os inserissem no periguetismo. Quando eles estão “pro negócio”, já estão pelados, sem uma roupa que os identifiquem. A canalhice não pode ser considerada uma filosofia de vida.

Então sem querer polemizar, deixo a reflexão. Aprendi lendo e escutando tudo isso, que periguete não deve ser confundida com piranha, porque tem muita mulher considerada chique por aí, que é piranha também! Como mesmo disse Vivian, a Suélen da novela é muito mais vítima do que predadora. Vítima do sonho de ser rica, que a mídia e a sociedade nos impõem muitas vezes. A grande não aceitação que as periguetes encontram é fundada justamente por essa autenticidade delas, em chegarem mostrando os seus atributos e para o que vieram, sem máscaras. Já vi muita patricinha rebolando na balada, dançando até o chão esfregada numa amiga, e quando um cara chega chegando, fazem cara de vítima, se afastam enojadas. Como disse Xico Sá, chega de sociologia de boteco, vamos escandalizar essas hipocrisias.

E termino com as palavras dele na sua crônica sobre o assunto:

“Aquela história: quando eu penso em sacanagem, chamo de erotismo; quando o outro faz a mesma coisa eu rotulo de pornográfico.

O que é ser periguete?”

Aqui, tem 5 lições das periguetes pra vocês, que podem até, como eu, não seguir esse tipo de filosofia/estilo, mas quem sabe não aprendemos um pouco a sermos mais livres como elas?

beijo beijo

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4 respostas em “Periguetes são as novas it girls?

  1. Boa tarde Juliana, tudo bom? Me chamo Julio e sou de São José do Rio Preto. Acompanho o tema moda já faz alguns anos e preciso discordar de você sobre a questão de rótulos aos homens. Deixa eu te fazer uma pergunta: Se um homem entra na balada de regata, será que ele não será rotulado? Será que TODAS as mulheres não vão olhar e, pelo menos, a MAIORIA não vai falar mal dele? COM CERTEZA vão olha e COM CERTEZA vão falar mal dele. No meu entender, homem de regata já é rotulado por muitas mulheres. Na noite mais ainda. Mas mostrar os braços é muito menos pior que quase mostrar a bunda (com o perdão da palavra). Engana-se a mulher que acha que homens não são rotulados. Este é apenas um rótulo nosso. Outra coisa que preciso afirmar é sobre as periguetes. Nenhuma mulher que eu conheço se torna periguete da noite pro dia. Nenhuma mulher toma coragem e decide usar um micro vestido da noite pro dia. O comportamento periguete já nasce com ela ou vem de forte influência externa. Se ela já nasce periguete (o que é normal), ela pode não ter a coragem de usar micro vestidos. Porém, sua atitude é muito mais ousada do que a maioria das mulheres. Sua personalidade é muito mais forte e, normalmente, são dominantes em seus círculos sociais. O problema é quando o comportamento periguete vem de influência externa. Observei ao longo dos anos, inclusive com pesquisa em campo, que muitas (MUITAS) dessas meninas taxadas de periguetes (principalmente essas que usam microvestidos ou roupas que mostram mais do que não mostram), tem um comportamento baseado numa influência externa (amigas, tv, revistas). Pelo que observei também, a maiorida delas não está preocupada com o rótulo de periguete mas elas não se demonstraram pessoas confiantes, corajosas ou seja lá o que for. Entendi que a maioria dessas meninas/mulheres (diga-se de passagem as meninas estão se tornando periguetes com 12 anos de idade) estão perdidas num mundo onde personalidade está em falta e referências fajutas estão em alta. Por que fajutas? Porque se uma amiga veste vestido, não acho que elas precisem ser iguais. Porque se as personagens da TV se vestem assim, elas acham que também devem ser assim. Mas não acho que são dadas, apesar de que a maioria é. Talvez minhas amigas periguetes de micro vestidos não sejam dadas. Talvez do nosso círculo social nenhuma seja. Mas a maioria é. Hoje, infelizmente, as mulheres estão vendidas. Não existe mais flerte. Não existe mais paquera. Existe um forte jogo de insinuação e provocação baseado na sexualidade. Hoje é tudo fácil. Homens e mulheres se rebaixaram. Aliás, nós homens sempre estivemos na posição aparentemente superior, mas na minha opinião, carregamos um mal que agora as mulheres estão reinventando. Acho que o direito de ” se pegar ” ou de transar com qualquer um é de todos, afinal, se relacionar, ” se pegar ” ou transar é necessidade fisiológica. Mas acho que das duas partes deveria haver um bom senso se não queremos perder nosso valor. O homem, menos mal, transa por lazer. Hoje, as mulheres transam por lazer e por dinheiro. Porque homem duro elas não querem. As periguetes estão aí. Como falei, estão reinventando uma arte criada pelo macho, impondo no mercado de forma cruel e hostil. De uma forma ou de outra, estamos todos vendidos e não vejo solução pro nosso mundo. Seremos cada vez mais rotuladores e rotulados. Cada vez mais diferenças, cada vez mais tribos e mais pré conceitos. Mas viva toda essa diversidade. E claro, viva toda essa loucura!!!

  2. Pingback: Café com Polêmica – Eu participei! | Juliana Baron Pinheiro

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