Bate aqui, mãe realista!

Essa semana, lendo um texto do blog “Agora sou Mãe”, de uma amiga (virtual praticamente, né Bia?), Beatriz Mendes, deparei-me ali com mais uma mãe das minhas. Quem me conhece e me lê sabe que sempre procuro bater a real da maternidade. Sem ficar floreando, enchendo de lacinhos, colorindo com cores bebê (aliás, não gosto de nada azul bebê, rosa bebê) e fingindo que ser mãe é só um mar de rosas, propaganda de margarina e uma perfeição digna de uma capa de revista Caras, por exemplo. Que apesar de ser uma delícia ter um filho, também existem os momentos amargos, cheios de pimenta, raíz forte, que fazem nossos olhos encherem de água (e não são lágrimas de felicidade) e que por muitas vezes temos vontade de rebobinar (verbo de quem viveu a era do VHS) nossas vidas e voltar pra época em que só precisávamos cuidar do nosso próprio umbigo e cortar as nossas próprias unhas (acordadas, claro).

Então que decidi dividir com vocês, queridas leitoras mamães ou queridas mulheres que um dia almejam se tornarem uma, dois textos que falam justamente sobre tudo isso. O da Bia, que eu já mencionei acima e o da Isabela Kanupp, autora do blog Para Beatriz, e que assim como eu, é uma das finalistas do Concurso da Limetree.

O texto da Bia, pode ser lido originalmente AQUI.

“Ser mãe NÃO é maravilhoso

Dormir tarde todos os dias com hora pra acordar. Acordar todas as noites sem hora pra voltar a dormir. Mil refeições interrompidas. Festas e eventos perdidos. Cabelo mal cuidado, unhas por fazer, olheiras fundas. Dificuldade imensa de voltar ao peso normal. Toneladas de roupas sujas por dia. Galinha Pintadinha ao invés de Avenida Brasil. Não conseguir tomar banho e ir ao banheiro na hora que bem entender. Estar em segundo plano na sua própria vida.

Oferecer de 6 a 7 refeições de 30 minutos por dia. 8 a 10 trocas de fralda de 8min cada. 1 banho de meia hora (só aí fecharam 5 horas e meia). Trocar de roupa, brincar, contar história, estimular, distrair, ensinar, educar. Levar pra ver bichos, mato, areia. Levar jatos de xixi. Aguentar choro, birra e manha. Correr atrás. Correr atrás. Correr atrás.

Ter duas opções: uma casa organizada não que te permite viver a vida ou viver desencanada em uma bagunça (isso que tenho personal colega, e quem não tem??) Não ter objetos de decoração abaixo de um metro de altura. Passar o dia sem desligar um segundo.

Depois de 10 meses, concluí que ser mãe não é maravilhoso. Sinto muito se eu frustrei você. Talvez você possa ter lido na Caras, sobre o quão fácil e delicioso é ter um filho e como todas as famílias são lindas e perfeitas, e como os bebês das revistas não fazem cocô fedido, e como as mães tem tempo pra tudo e são supermulheres. .. Alô? Planeta Terra chamando!

Repito. Ser mãe não é maravilhoso. Maravilhoso é o amor imenso e fora do normal, que me leva fazer TUDO isso – com disposição e boa vontade – e me faz sentir o ser mais feliz e completo do mundo. O que eu ganho em troca? Sorrisos, gargalhadas e a oportunidade emocionante de acompanhar sua evolução. Parece pouco perante o trabalho que dá. Mas quem é mãe, só que é mãe, sabe que esse é o amor na sua forma mais simples e verdadeira. Que preenche tudo e me faz dar um sorriso, todas as manhãs, ao acordar e ver a pessoa mais importante da minha vida”.

O texto da Isabela pode ser visto originalmente AQUI.

” Sobre aquilo que ninguém me contou

A maternidade foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, mesmo não acontecendo no momento ideal da minha vida foi sem sombra de dúvidas a coisa certa a acontecer. E em meio a toda essa certeza, surgiram também os conselhos, os palpites das pessoas que já haviam passado por isso. Porque para quem está de fora, a maternidade parece ao mesmo tempo fácil e um grande mistério. De tudo que ouvi, dos conselhos e dos palpites tentei guardar comigo aquilo que achei válido para o momento, como se dentro de mim existisse diversas caixas com temas diversos e lixos temporários. Me contaram que minha vida havia acabado, por eu ser nova, por não ter faculdade, por cuidar do meu pai, e realmente… a minha antiga vida acabou ali no momento em que minha filha veio ao mundo e se iniciou uma nova vida cheia de expectativas e garra, porque a força que temos depois de sermos mães é algo incrível. Me disseram que eu nunca mais iria dormir, mas eu dormi super bem nos primeiros meses. Esqueceram de me contar que por muitas vezes eu preferiria ficar acordada ali, só velando o sono da minha pequena, só observando, sonhando acordada. Me disseram que ” quando eu fosse mãe eu entenderia” e realmente, ser mãe faz com que a gente entenda as questões mais profundas, faz com que a gente analise cada atitude do cotidiano, repense e reflita sobre quase tudo. Nunca me disseram que mesmo com esse amor maior o mundo eu me sentiria só depois de um tempo, que a maternidade não basta para todo o sempre, que ser mãe é sensacional mas que existe um mundo ainda cheio de possibilidades mesmo para quem já é mãe. E que a solidão vez ou outra aparece para dizer um olá e perguntar como estamos, porque nem todos entendem as atitudes e os assuntos de uma mãe. Nunca me disseram que eu iria precisar de um tempo para mim, e que quando surgisse a oportunidade de eu ficar só, de fazer coisas que eu realmente gostasse de fazer além de maternar, a minha única vontade seria de ficar com a minha filha. E nunca me disseram que eu iria chorar no banheiro de nervoso, e que isso é normal, que a gente não é obrigado a ser forte sempre só por sermos mães, que a gente chora, surta, quer desistir de tudo. E que assim que nasce um filho nasce também a culpa de ser mãe e ser humana, de errar, sentir vontades, ter desejos extremamente individuais e sentir a necessidade por vezes de voltar a ter aquela identidade. Sem ser a mãe do fulano.

E por fim, nunca ninguém me contou que tudo isso valeria a pena, que todas as coisas negativas são anuladas com um sorriso, um abraço e um beijo babado.”

Gostaram? Eu amei!!! E assino embaixo. Ainda mais que essa madrugada João teve um ataque de choro desesperado, sem motivo, sem explicação e sem parar!!!! Nessas horas temos que contar até mil pra não enlouquecer. De repente ele parou, deitou do meu lado, disse que me amava e dormiu. Posso com isso?

Bom final de semana pra todo mundo!!!

beijo beijo

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2 respostas em “Bate aqui, mãe realista!

  1. Juliana, amei ter encontrado o teu blog, acho que ser realista é uma qualidade que temos que exercer para vivermos o que real, se tudo for fantasiado será frustante o encontro com surpresas. Fico feliz de saber que pessoas como vcs tem um amor imenso pelos filhos e que compreendem que ser mãe é algo que nos completa, mas que nos deixa em estado de alerta para sempre. Eu estou vivendo uma experiência muito satisfatória, na gestação de um bebê pela 4ª vez, tenho um filha com 13 anos, Suellen, um filho com 11, Gabriel, tive um aborto ano passado e agora estou há 14 semanas esperando o Cássio ou a Samara. Beijos !!!

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