A sua gentileza CONSIGO, gera gentileza pra SUA vida!

EDITADO ÀS 12:23 – Através do facebook descobri que hoje, dia 29 de maio, é considerado o Dia Nacional da Gentileza. Fui pesquisar e vi que na verdade o profeta faleceu no dia 28 de maio!! Mas que coincidência eu ter postado o texto logo hoje!!! Nunca, jamais passou pela minha cabeça a proximidade das datas. E o texto já esta pronto há alguns dias e eu decidi postá-lo hoje! Loucura, loucura, loucura.

Essa frase é bastante conhecida e eu não vou ficar aqui dando informações técnicas sobre a sua origem ou quem a criou. Pra isso vocês entram aqui.

Eu quero tratar dela de uma forma um pouco diferente de como geralmente ela é lembrada às pessoas. Não quero falar sobre você ser gentil com os outros. Eu quero falar sobre sermos gentis com nós mesmos. E seguindo a ordem lógica do título do post, se formos gentis com nós mesmos o que acontecerá?

Apesar de parecer fácil entendermos a ordem lógica dessa frase, que num primeiro momento realmente parece simples, nem sempre a compreendemos de verdade. Muitas vezes nos preocupamos mais em ser gentil com os outros, como uma forma de altruísmo egoísta, esperando que sendo gentis com os outros, os outros serão gentis com a gente. Mas VOCÊ é gentil com você? Porque se nós não lembrarmos de sermos gentis com nós mesmos, dificilmente seremos gentis verdadeiramente com os outros.

Parece papo de doido, não? Pois é, é o que muita gente achava do profeta Gentileza, que vivia  “pregando” essa ideia pelo Rio de Janeiro. Maluco, ele? Lembrei-me muito agora da peça de teatro que assisti esses dias com a Denise Fraga, da qual até falei um pouco aqui no blog. Daquele dia eu passei a me questionar a respeito de quem é mais maluco. Esses “doidos”, como o Profeta Gentileza, que vivem de forma diferente, no sentido de não se enquadrar aos padrões comuns a sociedade, ou nós, que estamos (ou achamos que estamos) enquadrados mas vivemos cheios de neuroses, dúvidas, apegos materiais, ausência corporal. Deixo o questionamento, afinal a proposta desse post é outra, com a resposta que José Datrino, ou o profeta Gentileza, dava aos que o chamavam de louco: “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“.

Então, parando pra pensar um pouco, quando você foi gentil com você pela última vez? Como sempre, eu  pergunto isso porque eu também me faço essa pergunta. Eu quase escrevi porque EU ME COBRO isso também. Mas se eu falasse em me cobrar eu automaticamente já não estaria sendo gentil comigo. Quando nós nos cobramos alguma coisa, nós racionalizamos a intenção. Levamos da área do sentimento pra área da razão. Tornamos a intenção, que antes era uma ideia boa, numa cobrança e quando percebemos que nem lembramos quando fomos gentis a última vez, ficamos frustrados e nos auto boicotamos. E esse é um típico exemplo de não estarmos sendo gentis com a gente.

(Nesse momento escuto barulhos de grilos ou vejo um sorriso brotar da sua boca)

Vamos lá. Vou dar o meu exemplo pra ficar um pouco mais fácil de entender. Fácil de entender, porque esse exercício não é tão simples assim. Ser gentil comigo, comigo Juliana, significa respeitar os meus desejos. Significa me permitir gostar das coisas que eu gosto, sem pensar o que os outros vão achar disso. Nos últimos tempos, venho gostando e sentindo necessidade de ficar na cama, ainda de pijamas, assistindo televisão, escrevendo, lendo, pensando, descansando da bomba emocional de descobertas que eclodiu dentro de mim e do cansaço que ela gerou, cansaço esse, quase físico. Mas o que acontece sempre que eu me permito isso? Eu me culpo, porque eu devia estar trabalhando, cuidando da casa, indo pra academia, no supermercado, brincando com o meu filho. Eu me culpo, principalmente por até ter que inventar desculpas pros outros, pra poder estar ali me permitindo usufruir da MINHA necessidade. Ah, os outros! Porque estamos sempre querendo nos justificar pros outros? Talvez esse texto pareça ou até seja uma justificativa. EU sei que não estou ali por preguiça, por folga, mas porque eu necessito daquele meu momento. Mas mesmo assim não é fácil me desprender de tudo que vem depois do MAS…eu adoro prestar atenção nos mas, porque quase sempre tem um mas e geralmente o que vem depois dele, tem um grande peso. “Eu preciso estar aqui fazendo o que eu quero fazer mas eu me sinto culpada por causa disso”. O que eu preciso exercitar pra realmente ser gentil comigo? Eu preciso me permitir fazer o que eu quero fazer porque o que os outros vão pensar, pertence somente à eles. Se o que eu estou fazendo, não estiver prejudicando ninguém e principalmente a mim, então é certo que eu o faça, é saudável. Quando eu sou gentil comigo mesma e me permito esses momentos, tentando (tentar já é um começo) não me preocupar com os outros e assumindo de verdade essa minha vontade, o que antes era uma intenção, torna-se um bem estar, uma liberdade. E são momentos, porque eu sei que essa necessidade de me recolher não é constante e nem é pra sempre. Daqui a pouco essa minha necessidade de me silenciar, se eu respeitá-la e assumi-la, vai se tornar uma necessidade de seguir em frente, pra uma próxima etapa, aonde eu serei gentil comigo mesma, permitindo-me ir.

Um exemplo de uma gentileza que eu me concedi verdadeiramente, foram os momentos em que eu deixo o João com outra pessoa pra ir no cinema ou pra ficar em casa simplesmente vendo televisão ou não fazendo nada. Por escutar muito que as mães devem aproveitar o seu tempo livre pra passar com os filhos, quando eu deixava o João pra fazer atividades que não as entendidas como justificáveis, como trabalhar, eu me sentia culpada. Fazia o que eu queria fazer mas depois quase morria de culpa, me auto boicotava. E esquecer que somos humanos, criarmos situações pra depois nos frustarmos ou nos culparmos é a maior falta de gentileza que podemos ter com nós mesmos. Hoje eu sei que eu me permitir essa minha necessidade de ficar sozinha é uma decisão que pertence a mim. E o que os outros vão achar disso, é algo que pertence à eles. Eu os respeito e os entendo mas eu não carrego mais o peso DELES nas MINHAS costas.

O exercício de tentar ser gentil com você mesmo pode começar com tarefas simples, como se elogiar mais aos outros ao invés de estar sempre se criticando, respeitar mais as suas ignorâncias com relação às coisas que você ainda não sabe fazer, separar um tempo pra cuidar mais de você ou fazer coisas que te dão prazer. Mas você também pode se des-culpar por vontades que você tem, como comprar uma roupa cara, porque VOCÊ gostou dela (não estou falando porque você precisa daquele status para se sentir feliz) e não ficar se culpando porque enquanto você gastou um valor alto num bem material, tem gente que não tem dinheiro nem pra comer. Se o dinheiro é seu, você conquistou ele, não o roubou de ninguém, o que os outros vão achar não cabe à você. Não estou dizendo que essa é uma necessidade minha e nem estou julgando ela, mas esse é sofrimento é muito comum e muito difícil de ser administrado. Aliás, eu já vivi muito ele e talvez às vezes até sinta ele ainda. Mas exercitando, já consegui me permitir muito mais essa gentileza, essa sensação de libertação.

E você? De que maneira pode ser mais gentil consigo? Cuidando mais de você ao invés de cuidar tanto dos outros? Mães (as famosas carregadoras de culpa, que é o oposto de gentileza), os seus filhos não vão ser infelizes se você deixar de vê-los um dia inteiro porque no horário do almoço você preferiu comer com as amigas e à noite foi assistir a uma peça de teatro com o marido. Muito pelo contrário. Porque quando você estiver com eles é porque você desejou estar ali. Do que adianta estar ali e ficar pensando em outra coisa que queria fazer e fazer outra coisa desejando estar ali?

Só pra frisar que eu sei que o assunto é vasto e cheio de poréns. Permitir-se fazer o que te dá prazer não significa fugir da sua realidade. Não há como termos prazer em TUDO o que a gente faz. Como mesmo disse aquele velhinho de Bali, no final do filme “Comer, Rezar e Amar”, quando a Julia Roberts diz que terminou o seu namoro porque não estava conseguindo continuar com o equilíbrio que tanto havia buscado, estando junto com o namorado: “Às vezes, perder o equilíbrio por amor, faz parte de viver a vida em equilíbrio”. Não estar sempre equilibrada num relacionamento, faz parte de uma vida equilibrada. Não nos cobrarmos em estarmos sendo sempre gentis com a gente mesmo, faz parte do processo de sermos gentis com a gente mesmo.

Atraverssiamo. Let´s cross over. ( Essas são as últimas palavras do livro na versão em inglês)

Bóra exercitar?

beijo beijo

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2 respostas em “A sua gentileza CONSIGO, gera gentileza pra SUA vida!

  1. Pingback: Comer, Rezar e Amar muito a nós mesmos, por favor! | Juliana Baron Pinheiro

  2. Pingback: Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então…. | Juliana Baron Pinheiro

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