Bóra refletir?

Parênteses. É tanta gente dizendo que os meus textos parecem uma conversa que daqui a pouco eu mudo o título do blog pra “Conversando com Juliana”…hahaha. Obrigada pelo carinho pessoal. Estou muito, muito feliz com esse feedback. Fecha parênteses.

Zente que furdunço anda ocorrendo dentro de mim. Eu tento ao máximo preservar esse meu momento “esponja”, aonde eu venho absorvendo e absorvendo e absorvendo informações, constatações e respostas pra todas as perguntas que eu ainda nem sabia que tinha, mas que por alguma razão divina, hoje eu formulei. Hoje que eu digo, nos últimos tempos.

Pode parecer que eu falo muito da minha vida aqui no blog, mas eu juro, eu juro que nem 90% do que acontece comigo vem pra cá. Todas as transformações que chegaram a mim nas últimas semanas só me fazem querer compartilhar com o máximo de pessoas que eu puder alcançar, a importância que tem você tomar as rédeas da sua vida. Escrevo o que aconteceu mas tento não falar sobre o significado que elas tiveram diretamente pra mim. Quero que, caso elas também toquem você, então que te signifiquem alguma coisa, que possam te ajudar também. E sempre, sempre que eu reproduzo o que alguém me disse, ou me ensinou, seja por meio de uma conversa, de uma palestra, de uma consulta ou de algum livro, eu digo o nome desse alguém, pra não parecer que veio de mim. Afinal essas pessoas estudaram uma vida inteira e eu só tento aqui dividir com quem também quer se encontrar, o quanto tudo isso tem valor. O texto esta um pouco confuso, o blog anda muito introspectivo mas como ele faz parte de mim e eu estou vivendo esse meu momento, inevitável que tudo seja refletido no que eu escrevo. Eu tenho vários posts armazenados no Rascunho sobre filho, sobre culinária, decoração, dicas de livros e CD`s mas não consigo publicar eles agora. Porque eu preciso transbordar com vocês.

Não entendam todos esses meus textos como uma vitrine da minha fragilidade mas como os meios que eu venho encontrando pra me tornar alguém mais forte e consequentemente mais feliz, na sua forma mais pura e verdadeira.

Talvez o texto fique longo mas eu não me importo. Não preciso escrever algo “comercial” como uma música que se encaixe no tempo que as rádios dispõem a elas. Quero escrever coisas que façam sentido, com começo, meio e fim.

Tudo começou quando eu nasci…hahaha. Brincadeira. Tudo começou com a ideia que a minha mãe teve de eu voltar a frequentar uma psicóloga. Afinal eu andava muito ansiosa, esse é o ano do meu casamento, ano em que eu venho pensando no que fazer profissionalmente. No começo relutei mas marquei uma consulta com uma psicóloga indicada e fui achando que ela só me confirmaria que não havia nada errado na minha vida. Já no primeiro dia, enxergamos a raiz de tudo que andava incoerente dentro de mim. Não chamo de problemas, prefiro chamar de falta de sincronia, com o que eu realmente desejava e do que eu realmente vinha fazendo pra alcançar isso. Como a minha psicóloga estava grávida, só poderia me atender dois meses (sendo que minha última consulta foi essa semana). Nesse tempo ela me deu aquele livro da Co-dependência pra ler (alguns capítulos por semana) e já ali algumas fichas começaram a cair e algumas coisas já entraram na fila do “preciso mudar”. Porém, pra não me deixar perdida nesse tempo em que ela vai ficar sem atender, ela combinou com uma amiga dela, que trabalha de uma forma um pouco diferente mas em quem ela confia muito, de ela então fazer um grupo com algumas pacientes e dar um suporte pra gente. Afinal não era justo ela botar a colher na panela, dar uma mexidas e depois deixar cozinhando tudo o que foi absorvido, sem finalizar o prato. Metáfora barata mas que faz sentido.

Então ontem, nos encontramos, eu e mais algumas pacientes, com a nossa (queridíssima e fofa) psicóloga e sua colega de profissão, que nos explicou como funciona o seu trabalho.

Vocês já devem ter ouvido falar no livro “As mulheres que correm com os lobos”, não? Então, vou explicar bem por cima o que é esse livro. Ele é uma tese de uma psicóloga, que levou 20 anos pra ser concluída, aonde ela elenca alguns contos cheios de significa. Inclusive, ele não deve ser lido como livro de cabeceira. Ele é um livro pra ser trabalhado desse jeito, em um grupo, acompanhado de uma profissional, que a cada semana lê um conto e durante um mês trabalha ele com as suas pacientes. Então não são consultas semanais como de costume. No seu grupo se discutem questões ligadas com o tema do momento aonde você vai assimilando o significado do texto a sua vida.

Mas o porquê desse título do livro? Vou explicar bem leigamente. Segundo a escritora, a loba, animal mesmo, tem características que equilibram muito a sua vida. Ela sabe as tarefas que lhe cabem, as tarefas que cabem ao lobo, o momento de abandonar os seus filhotes. Hoje em dia, nós mulheres modernas estamos muito perdidas com todas as funções que cabem a nós. Como mesmo diz na contracapa do livro, que eu li só hoje, fomos domesticadas e precisamos resgatar esse nosso lado selvagem. Precisamos saber quais tarefas realmente nos pertencem e saber entender o que cabe aos outros. O momento de nos apegarmos a algo e o momento de nos libertamos dele. E as 19 lendas e histórias do livro resultam nessa nosso encontro. Vou transcrever um pedacinho do final do texto da contracapa pra ficar mais fácil de entender: (…) mas a compreensão da natureza dessa mulher selvagem, com todas as características de uma loba, é uma prática pra ser exercida ao longo de toda a vida.

Então, essa psicóloga que vai trabalhar com a gente a partir de agora (que por algum motivo que eu não sei, prefiro não dizer ainda quem é) através da “contação”, porque segundo ela quando nós escutamos alguma coisa, essa mensagem vai pra um caminho diferente de quando a mesma mensagem é lida por nós. Ontem ela nos contou uma história pra uma melhor compreensão dessa forma de terapia. Não sei quem escreveu essa história mas vou contar porque ela é muito interessante e válida. E vou contar do jeito que eu escutei.

“Há muitos anos atrás em algum lugar existia um reino, aonde residia um Sultão em seu lindo e maravilhoso castelo. Certa noite, enquanto todas as Virtudes dormiam, a Verdade acordou de repente com a vontade de conhecer o tal castelo. Na mesma hora ela se levantou e do jeito que estava, descabelada e de pijamas, foi até lá. Chegando no castelo, ela bateu na porta e disse aos soldados:

– Eu vim aqui porque eu queria muito conhecer o castelo do Sultão.

Um soldado então perguntou:

– Mas quem eu devo anunciar?

– Diga que quem esta aqui é a Verdade.

Os soldados sem entender nada, pediram que ela esperasse e foram falar com o Gran Visir. Disseram que havia uma mulher lá embaixo que queria muito conhecer o castelo do Sultão. O Gran Visir cheio de coisas pra fazer, perguntou qual era o nome desse mulher. E quando os soldados disseram que era a Verdade, ele se irritou:

– Como assim a Verdade esta querendo entrar aqui? Não, não e não. Mandem ela já embora.

Os soldados então o obedeceram e fecharam a porta na cara dela.

Enquanto a Verdade voltava pra casa, ela pensou que iria sim entrar naquele castelo. Então cheia de raiva, foi até em casa, vestiu sua armadura, pegou sua espada e voltar a bater na porta. Os soldados mais uma vez abriram e ela, muito agressiva anunciou:

– Eu vim aqui porque eu quero conhecer o castelo do Sultão.

Um soldado então perguntou:

– Mas quem eu devo anunciar?

– Diga que quem esta aqui é a Acusação.

Os soldados então mais uma vez subiram e passaram a informação para o Gran Visir, que quando escutou que a Acusação queria entrar no Castelo, mais brabo ainda ordenou que a mandassem embora. Como assim, a Acusação iria perambular dentro do castelo do Sultão.

Mais uma vez a porta foi batida na cara da mulher. Enquanto ela voltava pra casa, ainda querendo entrar naquele castelo, ela teve uma ideia. Foi pra casa, tomou um banho, fez as unhas, maquiou-se, botou sua melhor roupa, perfumou-se e voltou a bater na porta do castelo.

– Bom dia, eu vim aqui, porque eu queria muito conhecer o castelo do Sultão – disse a mulher docemente.

– Mas quem devemos anunciar?

– Diga que quem esta aqui é a Parábola.

Os soldados, estarrecidos com tanta beleza, correram para o Gran Vizir e sorrindo, disseram que havia uma mulher lá embaixo que queria muito conhecer o castelo. Quanto o Gran Vizir perguntou quem era e escutou que era a Parábola, amoleceu.

– Como assim a Parábola? Mandem que entre! Preparem nosso melhor banquete, com a nossa melhor louça que eu quero que ela permaneça aqui por pelo menos 3 dias.

E assim, a Verdade entrou no Castelo e segundo a psicóloga, esta casada com o Sultão até os dias de hoje.”

Mas o que ela quis dizer com essa história? Que todos nós somos Castelos lindos e maravilhosos. E que todos nós temos os nossos soldados e Gran Vizir, que deixam ou não algo entrar dentro de nós. Quando a verdade chega afoita, nua e crua, automaticamente nos fechamos para ela. Quando ela chega armada, pronta pra invadir, cheia de raiva, também não deixamos ela entrar. Mas quando ela vem linda, doce e perfumada, ela entra. E é assim que acontece com os contos. Ouvindo-os eles fazem com que certas verdades que antes, já haviam tentado entrar dentro da gente, finalmente encontrem uma forma de nos acessar.

Legal, né? Depois ela pediu pra cada uma dizer o que mais chamou a atenção no conto. E através das nossas respostas, deu pra ver o modo como cada uma enxerga a sua vida.

E assim eu encerro o longo texto de hoje. Mas eu juro que logo eu volto. Afinal, como eu vou botar a colher na panela de vocês e depois deixar vocês cozinhando sem mexer mais um pouquinho…

Juro que o blog não vai se tornar mais um blog de auto ajuda. Daqui a pouco eu alivio e conto as coisas que o seu João Pedro anda falando. Como ao avistar um monte de gente na rua, depois de um falatório sem fim no corro, exclamar: “Uau, que gente!”. Como quem quer dizer, nossa, quanta gente…hahaha. Ele esta demais!! Difícil de acompanhar até!!

Bom final de semana gente!! Que o meu vai ser intenso, de um profundo mergulho pra dentro de mim.

beijo beijo

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4 respostas em “Bóra refletir?

  1. Oi Juliana! Tudo bem?
    Não sei se você vai lembrar-se de mim, estudamos juntas no segundo ano lá do energia…
    Faz pouco tempo que sem querer entrei no seu blog e desde então, tento sempre que possível visitar. Acho impressionante como a vida da gente muda e a forma que você coloca aqui, torna a leitura muito simples (de uma forma muito boa é claro!) e gostosa.
    Nunca tinha comentado, mas esse texto de hoje está ÓTIMO.
    Parabéns
    Beijos

    • Oi Pati! Claro que eu lembro de ti! Quando vi teu email, ainda antes de ler o comentário, já sabia que era tu!
      Que bom que você entra aqui!!! E que bom que gosta do que eu escrevo!! Com certeza o amadurecimento que a vida nos proporciona ao longo dos anos é super válido!!! Mas temos que estar abertos e prontos pra ele. Se não, ele chega, passa e não entra!!!
      Continua comentando que são pelos comentários que eu me impulsiono a escrever sempre mais e mais!!!
      beijo beijo

  2. Pingback: Por Juliana Baron: você até pode, mas será que você quer? | Delicinhas de Pera

  3. Pingback: Vasalisa e a perda da nossa intuição feminina. | Juliana Baron Pinheiro

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