A grama do vizinho…

Como uma legítima canceriana, eu sempre quis casar e ter filhos. Mas às vezes meu ascendente em aquário, signo que aspira liberdade, dava as caras e queria me mandar fazer uma especialização no exterior ou virar uma estudiosa-solteirona (never alone please)-rodeada de livros e gatos.

Como quando eu me formei na faculdade, casar e ter filhos pareciam realidades bem distantes, eu decidi fazer uma especialização em outro país (São Paulo não fica no Brasil, certo?). Um pouco pra sair de casa e me descobrir longe dos olhos cansados que já me conheciam e um pouco buscando me tornar alguém importante, afinal fazer Pós de Direito Tributário na PUC em São Paulo automaticamente já nos faz parecer alguém inteligente, não?

Porém, todavia, entretando, quando vim de férias pra Florianópolis depois de concluído meu primeiro semestre, fiz um filho e precisei mudar aquela minha busca de endereço. De uma outra cidade tive que vir me encontrar no lugar da onde eu saí/fugi. Como vocês já devem saber, fui morar junto com o Marco e agora vamos nos casar em Outubro.

E daí, quem sobreviveu nessa história? O anjinho do meu signo que me fazia ter os sonhos óbvios de todas as mulheres, que vem de todas outras gerações, ou o diabinho do meu ascendente que me fazia querer ser uma mulher culta, cheia de títulos e rodeada de formadores de opinião? None! Acho que os meus dois eu´s tiveram um caso e viraram affairs. Pois ora eu sou a mais matriarca-patrona-portuguesa do mundo, daquelas que espera o marido com casa arrumada e comida feita e se dedica totalmente ao filho, ora eu sou a Juliana-aquariana que escreve aqui pra vocês, deixa o filho com o marido e sai com as amigas, esta pensando em fazer um novo curso aí, quer ler todos os livros do mundo e um dia ainda pensa em viver do que escreve e do que realmente gosta.

E num modo geral eu vivo bem assim. Claro que às vezes rola aquele atrito, uma DR entre o bem e o mal e eu fico que nem em jogo de tênis, sabem como é? Bola prum lado, bola pro outro, cabeça vai prum lado, cabeça vai pro outro. Mas tudo bem, a gente faz uma terapia aqui, lê um livro ali, come chocolate, chora e vai vivendo, sempre procurando sobreviver nesse mundo de arquétipos pra poder enfim descobrir quem realmente somos e o que realmente queremos e não o que as outras pessoas querem de nós! Acredito que o importante é sabermos usar essas inconstâncias como o combustível certo, que nos faz nos movimentar pra frente e não o enganado, que um dia pode fazer a nossa Kombi pifar, no meio do deserto.

E nós quase sempre estamos insatisfeitos. Há alguns anos atrás, quando eu ainda era solteira, e MORRIA  de preguiça de sair de casa pra encontrar o “tal cara da minha vida” (que o anjinho sussurrava que eu precisava pra poder ser feliz), eu fechava os olhos e queria me teletransportar pra uma vida aonde eu já estivesse casada, com filhos e realizada, que nem nas propagandas de Margarina. E quantas vezes hoje, casada e com filho, em momentos de pânico total, dias em que eu durmo pouco, o filho lembra que esta na fase dos “Terríveis Dois Anos”, eu não sei o que eu quero direito, o marido foi surfar, eu fecho os olhos de novo e dava tudo pra voltar no tempo, na época em que eu só precisava pensar em mim, na faculdade, na academia e nada mais, época em que ainda existia um futuro a ser decidido! Não A-D-I-A-N-T-A! A grama do vizinho sempre parece mais verde! Não que eu me conforme com esses meus colapsos de fuga da minha realidade atual, do meu presente. Mas depois de um momento como esse de confusão, e são sempre apenas momentos mesmos, eu paro, penso, reflito e vejo o que eu preciso mudar pra me sentir mais feliz e o mais próximo de me sentir realizada. Afinal, somos as escolhas que fazemos, certo?

Talvez eu ainda tenha essas dúvidas pela passagem repentina que eu tive de um tipo de vida para outra completamente diferente, sem nem ter tempo de dar uma respirada ou uma pirada! Tipo a teoria espírita de quem desencarna de repente e ainda fica perambulando por aí até entender que morreu de verdade. Às vezes eu ainda preciso sentar pra conversar com essa outra Juliana que de uma forma morreu (nós nascemos e morremos todos os dias) e deu vida a quem eu sou hoje!

Só pra complementar o texto. Conversando com a minha psicóloga ontem sobre os tipos de mães que existem, as que trabalham e tem filhos e as que largam tudo pra cuidar dos filhos, eu constatei mais uma vez que ao fazermos escolhas, renunciamos a alguma coisa. E ao escolher, eu digo ao você escolher e não os outros, a única coisa que importa é se você se sente tranquila com a escolha que fez. Eu não me vejo cuidando o dia inteiro do João mas respeito as mães que o fazem.

E com todos esses questionamentos eu vou. Vivendo, tropeçando, caindo, levantando, escrevendo pra transbordar, mudando os meus objetivos e continuando a viver! Afinal o mundo não para pra nos recompormos e ficarmos da maneira utópica que muitas vezes buscamos ser. Ce la vie (treinando meu francês pra lua-de-mel).

Esses dias já deitada pra dormir olhei pra parede na frente da minha cama. Aleatoriamente um dia eu colei essas duas fotos, uma do lado da outra. Que ironia. Em cada uma delas esta uma Juliana. A que tinha acabado de se formar e se via cheia de oportunidades pela frente. E na outra a Juliana que teve que se reprogramar, mudar um pouco as suas escolhas e que amadureceu, a ponto de se livrar das expectativas dos outros e ser quem ela sempre quis ser. Dá pra ver o sorriso sincero em ambas as fotos? Que bom, porque isso é o que realmente importa em meio a todas essas transformações.

Por hoje era só, pessoal.

beijo beijo

p.s. Fernanda Mello, que só podia ser canceriana, muito obrigada pelo seu comentário e pela sua referência nos seus meios de comunicação. Ontem esse blog que vos escreve bateu disparado o recorde de acessos e garanto que só de pessoas do bem, já que te acompanham e por você, chegaram até mim. Os comentários de duas amigas suas aqui foram muito fofos!!! Só frisaram a imagem que eu já fazia da sua pessoa, pessoa, além da que escreve.

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4 respostas em “A grama do vizinho…

  1. Ju,

    Cada vez que eu entro aqui e leio seus textos o meu dia muda! São uma delicia de ler… parece que estamos conversando! Parabéns!

    Beijos Ju

  2. Oi Ju!
    Sempre entro no seu blog e ADORO!
    Não sei, mas me identifico muito com os textos e até parece que temos muito em comum. É engraçado, lembra que uma vez uma moça perguntou se a gente era irmã? Será que até parecidas fisicamentes a gente já foi? Bons tempos!
    Então, adorei esse texto!
    Sabe? Nem sempre as coisas precisam acontecer na ordem “certa” da vida para que as pessoas sejam felizes e tal. Mas querendo ou não a gente acaba se cobrando isso né?
    Com certeza a grama do vizinho é sempre mais verde, isso até a gente descobrir exatamente como a vida dele é. Penso eu!
    Sou uma pessoa confusa e assim como você, um dia sou uma Ariane e no outro uma totalmente diferente. Não mãe nem esposa e tal, mas um dia realizada e no outro totalmente infeliz nas escolhas que fiz. Mas são coisas da vida! Então, vamos vivendo, caindo, levantando…

    Continue escrevendo muito, por favor!
    Vou torcer pra que você consiga viver do que realmente gosta, escrever.
    Parabéns pelo blog!
    Beijão e boa semana!

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